CINEMA

Críticas - Dois lançamentos para o pós-carnaval nos cinemas

Por TOM LEÃO
nacovadoleao.blogspot.com.br

Publicado em 13/02/2024 às 16:46

Alterado em 13/02/2024 às 16:46

'Zona de Interesse' é um perturbador (e diferente) filme sobre nazismo Foto: divulgação

'ONE LOVE’: CINEBIOGRAFIA CHAPA BRANCA DE BOB MARLEY

Cotação: duas estrelas

‘Bob Marley: One Love’, de Reinaldo Marcus Green (‘King Richard: criando campeãs’), é a cinebiografia do mais importante artista da reggae music, morto há 44 anos, aos 36, de câncer. Na tela, temos um olhar sobre a vida do artista, nascido Robert Nesta Marley, em 1943, na Jamaica, filho de pai inglês (a ilha foi colônia britânica) e mãe jamaicana. Como o filme foi produzido pela família de Marley, rola um certo clima chapa branca no geral. O filme tenta fazer de Bob uma espécie de santo (foi importante, politicamente, em sua terra natal; e na música, pioneiro do reggae, sem dúvida), sem entrar muito em seus (de)feitos ou realmente em sua carreira (se passa apenas no período 1977-1980). O ator escalado para viver o astro, Kingsley Ben-Adir, está ok no papel, mas não envelhece um só ano, da primeira à última cena, e não passa nada mais do que simpatia. De resto, temos boas músicas, momentos históricos (o concerto de volta à Jamaica, após um ano exilado em Londres). Mas ficou faltando algo no conjunto final. É quase um filme para ver na sessão da tarde.

 

‘ZONA DE INTERESSE’: NÃO É TERROR, MAS ASSUSTA

Cotação: quatro estrelas

Já vimos centenas de filmes passados durante o período nazista e sobre o extermínio de judeus. Mas nunca vimos nenhum como ‘The Zone of Interest’ (no original), de Jonathan Glazer. O diretor, que filma muito esporadicamente (apenas 4 longas em 20 anos), é dado a obras algo estranhas (‘Birth’ e ‘Sob a pele’, por exemplo). Aqui ele adaptou um livro de Martin Amis sobre o cotidiano de uma família alemã perfeita: eles vivem numa bela casa, com um belo jardim, piscina, animais, empregados, comida farta. Mas do outro lado do muro da casa está... o campo de concentração de Auschwitz (na Polônia)! O dono da casa, Rudolf Höss (que realmente existiu), é um oficial nazista de alta patente, que gerencia a logística dos campos. Nada disso influi na vida da família, e sua esposa, Hedwig (Sandra Hüller, de ‘Anatomia de uma queda’), vive bem e se acha ‘a princesa de Auschwitz’. Nos detalhes, vemos uma fumaça de forno crematório ali, um ruído de trem ao fundo, espocar de tiros acolá, gritos, e a vida segue normal para os Höss, que sonham com uma Alemanha nazista perfeita e feliz, sem saber que o sonho vai durar pouco (o filme se passa por volta de 1943, dois anos antes do fim da derrocada nazi). Um filme que assusta, mesmo não sendo do gênero terror, e acaba de uma forma que deixa um nó no estômago.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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