Crítica - ‘Elvis’: um filme vibrante e emocionante sobre o rei do rock

Cotação: quatro estrelas

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O novo filme musical do diretor australiano Baz Luhrman, ‘Elvis’, é tanto uma cinebio (incompleta) do imortal rei do rock Elvis Presley (1935-1977), quanto do empresário que viu nele sua galinha dos ovos de ouro, o notório ‘coronel’ Tom Parker. Este não tinha ideia da grandiosidade e importância do menino sulista que amava música negra e ajudou a criar e amplificar o rock n’ roll. Estava mais interessado em faturar em cima daquela novidade, de todas as formas possíveis. E o fez até a última gota de suor do artista. Literalmente.

Apesar de suas intensas duas horas e quarenta, ‘Elvis’ não cansa e não consegue mostrar tudo o que o rei conquistou e realizou (daria para fazer um filme só sobre a fase Vegas, por exemplo). Na primeira metade, fica bem claro que ele foi o hibrido perfeito do country branco com o som negro (vindo do blues e do gospel) que deu no tal do rock´n´roll como conhecemos. Outros astros do gênero não teriam alcançado o mesmo patamar, por conta da cor da pele (B.B. King e Little Richard já estavam na área, e aparecem no filme, junto com Sister Rosetta e Fats Domino). Mas Elvis não foi um ídolo criado por um empresário (como Pat Boone e demais imitadores sanitizados para as plateias brancas). Era uma força da natureza. E o ator que o encarna (Austin Butler, que dá o sangue em cada cena) captou muito bem o lado sensual e o decadente do maior astro do rock de todos os tempos (e o artista solo que mais vendeu discos, até hoje; e ainda vende).

O filme é contado, em narração, do ponto de vista de Parker (Tom Hanks, com próteses e voz de caipira), que sobreviveu uns dez anos à morte do ídolo (ido em 1977, aos 42 anos), e que, embora nunca o tenha dominado inteiramente (na parte musical e comportamental), o fez pelo lado comercial. Já que Elvis estava atrelado a vários tipos de contratos, que iam de filmes bobos em Hollywood, venda de merchandising e temporadas de shows em Las Vegas. Neste ponto, Elvis nunca teve controle total sobre a sua carreira. Mas ficava muito feliz de estar em cima de um palco, requebrando e fazendo a plateia enlouquecer. Mesmo na fase decadente em Vegas, como o filme capta em seus momentos mais emocionantes. Lá ele tinha o controle de escolher seus músicos e cantoras de apoio.

Enfim, ‘Elvis’ servirá para mostrar para a molecada de onde veio o apito do trem (que desemboca hoje no r&b e hip-hop), quem foi o mefistofélico Tom Parker (que sequer tinha esse nome e nem era americano!), naquele jeito feérico que o diretor australiano Luhrman costuma usar em sua edição, que empresta a técnica da tela em vários cortes (usada no documentário ‘Elvis é assim’, 1970, que capta seus primeiros shows em Vegas e a histeria que causava na plateia), que parece um longo videoclipe, e às vezes acaba redundante. Desta vez, Baz até que se conteve. Deu certo.

Mas é o ator principal que nunca nos deixa tirar os olhos da tela (seja na voz ou nos gestos), numa atuação mais visceral do que a que deu o Oscar a Rami Malek (que será lembrado mais pela dentadura que usou), fazendo o Freddie Mercury, cantor do Queen, recentemente. Austin Butler está no páreo para ganhar muitos prêmios (até porque, usa a sua própria voz, na fase jovem de E.P., sendo dublado apenas na fase final, nunca soa como um imitador barato). E felizmente ‘Elvis’ não é o filme que muitos tinham medo que fosse: exagerado e fora do tom, como é do feitio do diretor. Enaltece a figura com o devido respeito e realça o que é preciso (como mostrar que a raiz do rock, e de quase toda a música pop americana, é negra). Se não é uma maravilha, fica bem acima das expectativas.

*o filme é três estrelas, mas ganha quatro, pelo Austin

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

 

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