Crítica - ‘Thor: amor & trovão’, um filme que não se decide sobre o que quer ser de fato

Cotação: uma estrela

Foto: divulgação
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Os filmes da linha Thor, da Marvel, começaram de modo solene (quando a Marvel ainda não tinha sido absorvida pela Disney) com o primeiro filme (‘Thor’, 2011), tendo sido dirigido pelo fã do herói das HQs, o renomado Kenneth Branagh. Mas o segundo, ‘Thor: o mundo sombrio’ (2013), mergulhou ainda mais fundo nesse lado dark, e não fez muito sucesso. Resolveram, então, remodelar Thor pelas mãos do neozelandês Taika Waititi, que, com ‘Thor: Ragnarok’, deu uma guinada para o humor.

Contudo, neste quarto filme solo do deus da mitologia nórdica, ‘Thor: amor & trovão’, Waititi foi tão fundo nesse lado do humor que acabou quase se esquecendo do resto do filme. A primeira metade é uma comédia escrachada, cheia de piadinhas tolas por minuto (e com a participação dos Guardiões da Galáxia, que são envoltos em bom humor). A gente até esquece sobre o que é a trama, já que as piadinhas se alternam com músicas e referências à banda hard rock americana Guns & Roses (parece até anúncio para a nova turnê deles). Lá pelo meio, a gente se lembra que existe um vilão (Gorr, muito bem caracterizado e interpretado por Christian Bale) que está disposto a matar todos os deuses, porque um destes deixou sua filha morrer.

Essa é a trama. Mas a gente nunca sabe muito bem o que está acontecendo, por conta das piadas excessivas (uma delas, envolvendo cabras espaciais, cansa depois da terceira vez); porque, em dado momento, o filme se transforma no que parece ser um piloto para uma provável série spin-off infanto-juvenil do Disney+. No meio de tudo, Thor (Chris Hemsworth) reacende a chama de seu velho amor por Jane Foster (Natalie Portman), que, sem muita explicação, se torna Lady Thor nesta aventura, e passa a comandar Mjölnir, o martelo mágico do herói.
No fim das contas, Waititi não é tão bom nesse mix de humor e ação quanto James Gunn (que faz os filmes dos Guardiões, e a hilária e violenta série de TV do Pacificador) e ‘Thor: love and thunder’ (no original) acaba perdido numa encruzilhada, sem saber se é de fato uma comédia, um filme de ação, ou o quê.

Nada disso vai impedir a produção de ser sucesso de bilheteria. Mas parte da plateia sairá da sala com uma forte sensação de insatisfação, pela salada algo indigesta. Era para ser uma grande piada? Se foi, falhou no seu intento.

 

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