‘Gyuri’, de Mariana Lacerda, estreia nessa quinta nos cinemas

Filme fala sobre a trajetória da fotógrafa Claudia Andujar com os Yanomami

Foto: Bebinho Salgado 45
Credit...Foto: Bebinho Salgado 45

O documentário segue Claudia, 90 anos, sobrevivente da Segunda Guerra, que se exilou no Brasil e dedicou parte de sua vida para proteger o povo Yanomami.

Na década de 1970, ela viveu entre o Amazonas e Roraima, numa luta pela preservação da vida indígena e pela demarcação das terras dos Yanomami.

Através de diálogos com o xamã Davi Kopenawa, o ativista Carlo Zacquini e narração do filósofo húngaro Peter Pál Pelbart, o filme acompanha o reencontro de Claudia com os Yanomami, registrado pela diretora em 2018, e mostra a militância incansável da fotógrafa, seu passado de guerra e a vulnerabilidade atual dos povos indígenas.

Nos últimos quatro anos, os Yanomami sofreram diversos ataques de garimpeiros, fato agravado em 2020 pela covid-19 levada à região pelo garimpo.

O título “Gyuri” se refere a uma paixão adolescente de Claudia, que ela relembra na abertura do filme, sobre sua infância e juventude.

Este é o primeiro longa-metragem da diretora formada em jornalismo e mestre em história da ciência. Escreveu e dirigiu os curtas-metragens “Menino-aranha” (2008), “A vida noturna das igrejas de Olinda” (2012), “Pausas silenciosas” (2013), “Baleia magic park” (2015) e “Deserto” (2016), exibidos em festivais do Brasil, França, México, Lituânia e Portugal.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, a cineasta pernambucana explicou as razões de ter feito o filme e os resultados que espera para a causa dos Yanomami.

 

JORNAL DO BRASIL - O que a levou a realizar o filme e trazer detalhes da trajetória de Claudia Andujar?

MARIANA LACERDA - Às vezes penso que o filme se fez, através da colaboração de Claudia, de Peter Pál Pelbart, de Davi Kopenawa, de Carlo Zacquini, de todos os colaboradores. Penso que se trata de uma história que pedia passagem e o que nós fizemos foi instaurar um espaço fílmico seguro, afetivo, para que esta narrativa pudesse nos atravessar.

 

Como a realização do filme foi recebida por todos na aldeia?

Claudia Andujar não teve filhos, mas entre os Yanomami ela é chamada de mãe. É assim que ela é recebida na Terra Indígena Yanomami, como uma mãe visitando seus filhos, como uma irmã visitando amigas e amigos antigos. Ter acessado uma aldeia Yanomami através da Claudia foi um privilégio e uma honra inenarrável.

Quais resultados você espera que o filme possa trazer para a causa dos Yanomami e a grave situação que eles vivem atualmente?

“Gyuri” estreia nas salas de cinema no momento em que comemoramos os 30 anos da homologação da Terra Indígena Yanomami, resultado da luta incansável de Claudia Andujar, Carlo Zacquini, Davi Kopenawa, entre outros companheiros. Esperamos que o filme possa trazer uma pequena colaboração no debate sobre a defesa dos territórios indígenas. Esperamos que, ao narrar o passado da Claudia, sua história possa iluminar o nosso presente – e que o passado nunca mais se torne presente.

E qual receptividade espera dos espectadores?

Claudia Andujar multiplicou as possibilidades de coexistência entre mundos. Ao fazer isso, ela expandiu a possibilidade de vivermos melhor em nosso mundo (não indígena). Esperamos que o filme possa tocar o coração daquelas e daqueles que acreditam que outros mundos são possíveis.

 

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