Crítica - ‘Um broto legal’: cinebio da primeira popstar nacional do Rock Brasil, Celly Campello, é apenas ok

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Celly Campello (1942-2003) foi a primeira popstar feminina do rock nacional, numa cena dominada por homens. Ela é o centro do filme ‘Um broto legal’, que narra sua trajetória, desde a garota certinha de Taubaté (SP) até ao sucesso nacional, ao lado do irmão, Tony Campello (um rocker ‘raiz’), que foi quem a levou para este caminho. O filme de Luiz Alberto Pereira faz um recorte da época da caretinha Celly (ainda Celinha) até o seu estouro nacional, e o consequente abandono precoce da carreira por causa de um amor. Depois do que é mostrado no filme, Celly voltou aos palcos, brevemente, nos anos 1970, por conta do sucesso de suas músicas na trilha da novela ‘Estúpido cupido’.

Celly ficou famosa com músicas como ‘Estúpido Cupido’, ‘Banho de Lua’ e ‘Túnel do amor’ (em geral, eram versões de músicas estrangeiras escolhidas por produtores e pela gravadora), entre outras. Na tela, Celly é interpretada pela simpática Marianna Alexandre (que está muito bem no papel, inclusive cantando), que faz sua estreia no cinema. É o destaque do filme que, apesar de bem feito (a fotografia e cenários de época são bem bacanas), conta com atuações algo amadoras (a maioria parece estar declamando as falas) e um roteiro bem by the book.

O diretor conta que acompanhou a trajetória de Celly, pois moravam na mesma cidade, em Taubaté (terra também de Hebe Camargo e Monteiro Lobato), embora nunca tivessem se encontrado pessoalmente, porque ele era muito criança. Mas sua irmã mais velha e as amigas eram fãs entusiasmadas da cantora, e ele aponta a importância de Celly para o nascimento do que poderíamos chamar de ‘música jovem’. Era a chegada do rock’n’roll ao Brasil, e Pereira ficava admirado com toda aquela agitação em torno da Celly. Embora o rock e postura dela fossem bem comportados, ‘chocavam’ numa cidade do interior

Apesar de Celly ter morrido em 2003, o filme contou com uma consultoria muito especial: a de seu irmão/parceiro Tony Campello, que, aos 85 anos, se envolveu com o projeto e partilhou várias histórias e memorabilias (fotos, discos, revistas etc) que serviram de base no roteiro. O ator que faz Tony (Murilo Amarcollo) também está bem na caracterização.

Além das conversas com Tony, para criar o longa, o diretor e roteirista recorreu a várias fontes como jornais e revistas da época, além de depoimentos da própria Celly depositados no Museu da Imagem e do Som (SP). Apesar de não haver imagens da época (o videotape ainda não tinha sido lançado), o diretor reconstituiu cenas a partir de fotos de revistas da época.

O roteiro é assinado por Pereira e Dimas de Oliveira Jr, que chegou a conhecer Celly, inclusive pessoalmente, e a assistir a shows dela. Por se tratar de um filme de época que se passa no final dos anos 50 e início dos 60, ‘Um Broto Legal’ tem muito a mostrar para a juventude atual sobre a música e os costumes no Brasil. E é isso o que o filme tem de melhor.

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