‘CrItica - Top Gun: Maverick’: apenas diversão vertiginosa e descerebrada, sem ‘lacre’

Cotação: quatro estrelas

Foto: divulgação
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xSó vi o primeiro ‘Top Gun, Ases indomáveis’ (1986) uma vez, no cinema, na época do lançamento. Não saí impressionado. Curti as cenas aéreas e só. Fui mais pelo nome do diretor, Tony Scott (irmão de Ridley), que havia feito antes o terror chic ‘The Hunger’ (aqui, ‘Fome de viver’, com David Bowie e Catherine Deneuve) e, mais adiante, faria outro filme com Cruise, ‘Dias de trovão’ (1990), sobre a americaníssima prova de automobilismo Nascar. Fora a canção melosa, ‘Take my breath away’, da banda Berlin (uma favorita das FMs de motel), nada ficou.

Então, sem nenhuma expectativa, encarei a improvável sequência temporã ‘Top Gun: Maverick’, que, mais improvável ainda, acaba de se transformar no único filme da carreira inteira de Tom Cruise a estrear com bilheterias acima dos $100 milhões de dólares (estreou com $140mi), nos EUA. Até o momento, já fez cerca de US$700 milhões, mundialmente, e corre célere para a marca do bilhão. E também é a sequência de filme mais tardia já lançada (36 anos depois!). O filme, que seria lançado há dois anos, mas esperou a pandemia arrefecer, não é nada demais. Mas, como é tão diferente de quase tudo o que temos visto, nos últimos anos, se destaca. Não está ligado a universos de super-heróis, não tem boneco pra vender, não segue a cartilha do ‘lacre’, os personagens principais estão na casa dos 50/60 anos (Cruise e a ‘mocinha’ Jennifer Connelly). Enfim, parece vir de um verdadeiro universo paralelo.

Então, o que ele tem de especial? É uma emocionante - e estonteante - aventura, com toques de romance, que, mais de três décadas depois, traz de volta o piloto de caças Pete ‘Maverick’ Mitchell. Agora, como um professor que irá treinar um grupo de novatos para uma perigosa missão. Maverick é old school (‘das antigas’), vive como se estivesse nos anos 80, e sua única meta é cumprir a missão e ser um bom militar americano. E no processo aproveita para fechar uma ferida do passado, envolvendo o filho de seu melhor amigo, Goose (que morreu no filme origina3; pela idade do filme, não conta mais como spoiler), o rancoroso Rooster (Miles Teller).

O filme tem alguns momentos marcantes: a abertura, que cita o sensacional ‘The right stuff’ (aqui, ‘Os eleitos’, 1983), quando Maverick quebra a barreira hipersônica sob os olhares de Ed Harris (que faz uma astronauta no citado filme, onde quebram a barreira do som); sua eletrizante sequência final, que nos faz lembrar a da invasão da Estrela da Morte, no primeiro ‘Star Wars’ (para dar maior autenticidade, Cruise fez questão de que todas as cenas fossem realizadas em aviões de verdade, sem CGI, com os atores/pilotos realmente num cockpit). E para arrematar e nos tocar o coração de vez, Val Kilmer está de volta, numa participação especial (‘Iceman’, rival das antigas) nos momentos finais de uma doença. Na vida real, Kilmer luta contra um câncer de garganta, e não fala mais. Assim como o personagem. Outra vez, isso não é spoiler.

Juntando todas as partes, ‘Top Gun: Maverick’ justifica seu sucesso acima do esperado (até porque, as pessoas queriam voltar a ver filmes do modo ‘normal’, streaming não é tudo). Justamente por oferecer um filme do jeito que não se faz mais: descerebrado e sem agendas. É para ser visto no cinema, se emocionando junto com a plateia. Não interessa se você já viu o original ou a qual universo ele pertence. Este se sustenta por si só. É diversão garantida para duas horas na sala escura (outro ponto a favor, já que, atualmente, qualquer filme chinfrim leva duas horas e meia!). Vale cada minuto.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

 

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