Crítica - ‘O homem do Norte’: épico de vingança calcado na mitologia nórdica é muito violento

Cotação: quatro estrelas

Foto: divulgação
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Muito do que já lemos em peças de Shakespeare, ou vimos em personagens da cultura pop que bebem nas lendas, tirou grande parte da inspiração da mitologia nórdica. Quase tudo veio de lá e, com o tempo, foi sendo adaptado e mesclado a outras culturas.

O épico ‘O homem do Norte’ (‘The Northman’), de Robert Eggers (de ‘A bruxa’), é praticamente um compêndio disso tudo. Desde Odin (o deus maior) e Valhala (o paraíso), passando por tronos manchados de sangue (a la ‘Macbeth’ e ‘Hamlet’), está tudo lá. Até mesmo um duelo à beira de lavas de vulcão nos remete a ‘Star Wars’ (cena de ‘A vingança dos Sith’, de quando Darth Vader ‘nasceu’). Ou seja, se você curte mitologia, vai se fartar com o que é mostrado na tela. Tudo minuciosamente pesquisado para dar total tom de veracidade ao que vemos. Às vezes, isso até meio ofusca o todo. Só faltou ser falado em ‘nórdico’.

Contudo, muito mais do que isso, ‘The Northman’ é um formidável filme de vingança que usa daquela base já bastante explorada (do filho que vê o pai ser morto e jura se vingar quando crescer), para nos levar numa jornada sombria, suja, sangrenta e, sobretudo, bastante violenta; que prende a nossa atenção da primeira à ultima cena, quase nos deixando sem fôlego. Uma grandiosa odisseia de fúria e sangue.

Acompanhamos a jornada de Amleth (Alexander Skarsgärd, num tour de force físico impressionante), que, quando menino, vê seu pai, o rei Aurvandil (Ethan Hawke), ser morto por seu irmão bastardo, Fjölnir (Claes Bang), que ainda leva a sua mãe, a rainha Gudrún (Nicole Kidman), como troféu. Para não ser morto, Amleth foge para bem longe e, alguns anos depois, retorna para empreender a sua bem urdida vingança, a ferro frio. Nesta fase da jornada, conta com o auxílio da escrava Olga (Anya Taylor-Joy), e é guiado por visões da feiticeira Seeress (a cantora Björk) e do profeta louco Heimir (Willem Dafoe).

Apesar de ser um filme de Eggers, um diretor dado a bizarrices (vide ‘O farol’) e de alma alternativa, ‘O homem do Norte’ é bem palatável para as grandes plateias, que podem até se incomodar um pouco quando mergulha nos rituais e lendas escandinavos; mas que terá um filme plenamente satisfatório de vingança. Contanto que não se incomodem pelas cenas um bocado fortes, explícitas, sangrentas e sujas. É muito primitivo, visceral e cru. Assim como a fotografia escuro-amarelada e a trilha fria.

É tudo bem equilibrado entre a mitologia e a realidade. Quando chega a hora de subir aos céus, levado pela Valquíria, a gente até se sente confortado com a ida do príncipe viking que cumpriu a sua jornada e pode, enfim, descansar em Valhala.

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