Crítica: ‘Paris, 13 Distrito’: amor e sexo nos relacionamentos contemporâneos

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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‘Paris, 13º Distrito’ (‘Les Olympiades’), de Jacques Audiard, está concorrendo a cinco prêmios César este ano. É baseado em vários contos de Adrian Tomine, que foram roteirizados por diversos colaboradores, entre os quais Céline Sciamma (de ‘Petite Maman’). É um drama romântico contemporâneo, ambientado no e ao redor de um complexo de apartamentos chamado Les Olympiades, que fica no décimo-terceiro distrito de Paris; e focado num grupo de jovens (três mulheres e um homem) que se conhecem, se namoram e se conectam.

Émilie (Lucie Zhang), de família taiwanesa, vive em um apartamento que pertence à sua avó doente, que está num asilo. Ela tem diploma universitário, mas trabalha num call center. Seu colega de quarto, Camille Germain (Makita Samba), é um negro charmoso que leciona enquanto trabalha em seu doutorado em literatura. Eles começam uma relação (puramente sexual). Mas Émilie se apaixona por Camille, que considera a relação apenas casual. Camille (que se envolveu com outra mulher) sai do apartamento, e Émilie muda de emprego.

Nora Ligier (Noémie Merlant, de ‘Retrato de uma jovem em chamas’) é uma estudante de direito que se mudou de Bordeaux para Paris. Certa noite, ao usar uma peruca loura para ir a uma festa, é confundida com uma cam girl chamada Amber Sweet (Jehnny Beth). A zombaria e o assédio resultantes levam Nora a deixar a faculdade e a ir trabalhar em vendas imobiliárias — onde seu colega acaba sendo Camille, que está dando um tempo no ensino. Eles também começam uma relação sexual, pouco satisfatória. Enquanto isso, Nora, por curiosidade, acaba conhecendo Amber Sweet, cujo nome verdadeiro é Louise, e faz amizade com ela. Que vai além disso.

E assim segue o filme, que é em preto-e-branco (exceto pelas cenas da cam girl), cruzando os caminhos dos personagens principais, mostrando como as relações, nos dias atuais, são bem mais abertas, mas ainda são complicadas.

‘Paris, 13º Distrito’ define o prazer sexual como o ponto principal para um bom relacionamento. Apesar de o filme tratar tudo meio de modo superficial, a dedicação do elenco segura. Em particular, a atriz que faz Émilie. Já as cenas de sexo sofrem do problema com cenas de sexo em geral: soam meio falsas.

Banaliza a experiência humana central, apesar do extremo comprometimento e confiança dos atores.
Audiard pode saber e entender algo sobre relacionamentos românticos, compromissos familiares e vidas profissionais. Mas ao centralizar o desejo e o prazer de seus personagens, e então filmar esses aspectos de suas vidas com certa presunção, ele sacrifica um pouco o filme. Mas, no fim, o amor prevalece.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

 

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