Crítica - ‘Flee’: animação adulta que concorreu também a melhor filme e documentário no Oscar 2022

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Na última edição do Oscar, um concorrente chamou a atenção por ter sido indicado em três categorias bem distintas: animação, filme internacional e documentário. O filme em questão é ‘Flee’, de Jonas Poher Rasmussen, que, aqui, ganhou o subtítulo de ‘Nenhum lugar para chamar de lar’. Ele estreia nos cinemas do Brasil esta semana. Apesar de ter feito história, concorrendo em três categorias tão distintas do Oscar, infelizmente ele não ganhou em nenhuma delas. O que não lhe tira os méritos. Que são muitos.

Contando com mais de 80 troféus recebidos em diversos países, além de outras 140 indicações, o filme foi premiado também como Melhor Filme no importante Festival Internacional de Animação de Annecy.

O longa, que conta com produção executiva dos atores Riz Ahmed (“O Som do Silêncio”) e Nikolaj Coster-Waldau (“Game of Thrones”), traz uma história de resistência e coragem protagonizada por um homem cujo nome não pode ser revelado – para sua própria segurança e de sua família. No filme, é chamado de Amin Nawabi, um acadêmico gay de 36 anos bem-sucedido que planeja se casar com seu companheiro, Casper, mas há algo nele que sempre o impede de concretizar a união.

O documentarista dinamarquês Jonas Poher Rasmussen conhece Amin há muitos anos, desde que o rapaz chegou na Dinamarca, ainda na adolescência, mas desconhecia seu passado. Duas décadas depois de sua chegada ao país, e reconhecendo que seus traumas do passado atrapalham sua vida no presente, Amin resolve se abrir e contar como sua família fugiu do Afeganistão e dos Mujahidin, conhecidos como “guerreiros santos”. A partir daí, ‘Flee’ acompanha a trajetória da família do rapaz que, a princípio, se escondeu em Moscou, na Rússia, mas de onde foi obrigada a sair depois que os vistos de turistas expiraram.

Depois, ele e a família empreenderam uma jornada pela Europa em busca de abrigo e de um refúgio. Isso foi o que marcou a juventude do rapaz, que, agora, em primeira-mão, conta sua história ao amigo, que a transformou neste premiado filme. Mesmo não mostrando o rosto do verdadeiro Amin, a produção é narrada por ele, que também contribuiu com o roteiro.

O filme resolve muito bem o lado documental com o de entretenimento, prendendo a atenção do espectador, com a sua bem cuidada animação (que também inclui cenas reais fortes) e narrativa. Apesar de ser animação (o que, para muitos, é sinônimo de ‘filme para crianças’, o que é um grande erro), ‘Flee’ é um relato sério e comovente. Assim como outros de pegadas similares, como o pesado ‘Valsa com Bashir’ (2008) e o belo e tocante ‘Persépolis’ (2007), que apesar de feitos sob a forma de animações (o segundo adaptava um livro em forma de graphic novel/quadrinhos), são filmes sólidos e para audiências mais adultas. Não é apenas mais um ‘desenho animado’.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

 

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