Crítica - ‘O Traidor’: uma história de máfia baseada em fatos reais

Cotação: duas estrelas

Foto: divulgação
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Chamado pelo jornal inglês ‘The Guardian’ de “‘Os Bons Companheiros’ da vida real” (o que é um exagero, o filme do Scorsese tem uma pegada bem diferente), ‘O Traidor’, novo trabalho do italiano Marco Bellocchio, chega aos cinemas brasileiros seguindo uma carreira de prêmios internacionais. Ele conta, no elenco, com a brasileira Maria Fernanda Cândido – que, por acaso, também está em outra estreia desses dias, ‘Animais Fantásticos: os segredos de Dumbledore’ – e tem cenas rodadas no Rio de Janeiro.

Por quê? Por ser baseado nos fatos que trouxeram o mafioso italiano Tommaso Buscetta (Pierfrancesco Flavino) ao Brasil, nos anos 1980. Os motivos? No início dos anos 80, uma guerra generalizada eclode entre os chefes da Máfia Siciliana pelo controle do tráfico de heroína. Tommaso Buscetta, um integrante de alto escalão, foge para se esconder no Brasil. Na Itália, os acertos de contas acontecem enquanto Buscetta assiste de longe seus filhos e irmãos sendo assassinados em Palermo, sabendo que poderá ser o próximo. Preso pela polícia brasileira e extraditado para a Itália, Buscetta toma uma decisão que irá mudar os rumos da máfia italiana: ele decide se encontrar com o Juiz Giovanni Falcone e trair o voto eterno que fez à Cosa Nostra. E entrega todo mundo. Buscetta morreu de câncer, em 2000, na Flórida.

‘O Traidor’ teve sua première em Cannes, e ganhou vários prêmios David di Donatello, da Academia Italiana de Cinema – entre eles, filme, diretor, ator principal (Pierfrancesco Favino) e coadjuvante (Luigi Lo Cascio). Embora Bellocchio (que, em 1986, dirigiu o polêmico ‘Diabo no corpo’, que tinha uma cena explícita de sexo oral) não esteja em seus melhores momentos como diretor (a direção é bem burocrática), o filme pode interessar a quem viveu a época (e não sabe que fim levou o mafioso traidor), gosta deste tipo de história e filmes de julgamento. Estes irão apreciar. E também saber, de uma vez por todas, como se pronuncia o nome do camarada. Não era como diziam aqui.

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