‘A História do Olhar’, de Mark Cousins, abre a 27ª edição do É Tudo Verdade, em SP

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Foto: divulgação
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Na noite de abertura em São Paulo, quinta-feira (31), Amir Labaki, diretor do festival, manifestou a alegria de, após dois anos, voltar a ver pessoas reunidas em uma sala de cinema. Mark Cousins, que está na Escócia, enviou um vídeo com agradecimentos pela seleção de seus filmes para abrir o principal evento dedicado exclusivamente à cultura do documentário na América do Sul.

Conforme já divulgado, o É Tudo Verdade está acontecendo de forma híbrida: presencialmente em quatro salas de SP, e em duas salas no Rio de Janeiro; e na versão on-line, nas plataformas É Tudo Verdade Play, Itaú Cultural e Sesc Digital.

Além da inovação na abertura com dois trabalhos de um conceituado documentarista, como é o caso de Cousins, o festival traz uma programação abrangente e diversificada que inclui 77 produções vindas de 34 países, entre longas, médias e curtas ainda inéditos no Brasil.

 

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O cineasta Mark Cousins (Foto: divulgação)

 

Sessões virtuais dos filmes de Cousins foram disponibilizadas previamente para a imprensa credenciada, bem como foram mantidas durante o festival as projeções on-line já constantes da programação.

Em “A História do Olhar”, Cousins explora o papel que a experiência visual desempenha em nossas vidas individuais e coletivas. Em uma meditação profundamente pessoal, a partir dos problemas de visão que o próprio cineasta enfrentou, ele nos mostra riquezas de diversas culturas em diferentes épocas que incluem, entre outras, cenas de arquitetura, filmes clássicos do cinema, renomados cantores, quadros de pintores famosos e lindas paisagens.

Numa época em que temos mais imagens ao nosso alcance do que nunca, o cineasta expõe como o olhar está no cerne da experiência humana, e compartilha o prazer de ver o mundo em toda a sua complexidade e contradições.

“A História do Cinema: Uma Nova Geração”, por sua vez, é um documentário envolvente no qual Cousins mostra como a tecnologia está mudando o curso do cinema.

Abordando vários gêneros e observando estruturas cronológicas e geográficas, o documentarista foca seu filme em produções de todo o mundo que impulsionaram as convenções e renovaram o ambiente cinematográfico. Sem se descuidar do contexto histórico, expõe como muitos temas e ideias cruzam fronteiras, discorrendo sobre a natureza fílmica da realidade virtual e a utilização de celulares para fazer filmes.

Seu filme nos conecta, por exemplo, com movimentos de câmera, explica como aumentar o suspense e a tensão em um filme, ou como expressar o clima da trama, nos levando a ver muitas coisas além da história e dos personagens.

Enquanto enfatiza o que é o cinema sem fronteiras, mostra também como os temas podem ser compartilhados de formas diversas, expondo ainda o entorno dos locais onde foram realizados com observações históricas, socioeconômicas, filosóficas e políticas.

Em última análise, “A História do Cinema: Uma Nova Geração” provoca ainda nos espectadores o desejo de querer rever vários filmes, cujas cenas são mostradas no documentário, certamente agora com um novo olhar e na busca de um novo significado.

 

Competição 

Sete produções nacionais estarão concorrendo ao Prêmio de Melhor Documentário da competição brasileira: “Adeus, Capitão”, de Vincent Careli e Tita; “Belchior – Apenas um Coração Selvagem”, de Camilo Cavalcanti e Natália Dias; “Eneida”, de Heloisa Passos; “Pele”, de Marcos Pimentel; “Quando Falta o Ar”, de Ana Petta e Helena Petta; “Rubens Gerchman: O Rei do Mau Gosto”, de Pedro Rossi; e “Sinfonia de um Homem Comum”, de José Joffily.

Para o Prêmio de Melhor Documentário da competição internacional, 12 títulos estão na disputa, entre os quais se destacam “Cesária Évora” (Portugal), de Ana Sofia Fonseca; “Tantura” (Israel), de Alon Schwartz; e “Navalny” (EUA), de Daniel Roher.

 

Encerramento

O título que encerrará o evento, no domingo (10), será “O Território”, de Alex Pritz, coprodução entre Brasil, Dinamarca e EUA. O documentário acompanha um jovem líder indígena brasileiro que luta contra fazendeiros que ocupam uma área protegida da Floresta Amazônica.

 



Em 'A História do Olhar', Cousins explora o papel que a experiência visual desempenha em nossas vidas individuais e coletivas
O cineasta Mark Cousins


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