Crítica - ‘A Pior Pessoa do Mundo’: quando a mulher quer ser a protagonista de sua vida

Cotação: quatro estrelas

Foto: divulgação
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A série de TV inglesa ‘Fleabag’ (magistralmente escrita e interpretada por Phoebe Waller-Bridges) mostrava uma mulher, na casa dos 30, que era meio ‘mal vista’ pela família porque ainda solteira e sem a menor vontade de ter filhos. Qual o problema? Essa é a pergunta que Julie (Renate Reinsve), a principal personagem do norueguês ‘A pior pessoa do mundo’, se faz o tempo todo. Sua família, amigos e namorados vivem batendo nesta tecla. Mas ela não quer nada disso para si.

É assim que, em 12 capítulos (mais um prólogo e um epílogo), transcorre o filme de Joachin Trier que concorre ao Oscar nas categorias roteiro original e filme internacional (a atriz também deveria ter sido indicada, ganhou Cannes). Julie quer amar, dançar, se divertir e deixar a vida a levar. Isso a faz ser a pior pessoa do mundo? Para a sociedade, sim. Mulher na casa dos 30 já tem que estar com marido e filhos. Como fizeram suas mães e avós. Mas Julie quer mais. Quer ser protagonista de sua própria vida, não apenas coadjuvante num jogo/filme que já chega com o roteiro pronto quando se trata de mulheres.

O roteiro diz isso de forma bacana (vibrante, pulsante, viva), sem forçar barras, num contexto totalmente contemporâneo, mostrando Julie e seus relacionamentos com homens (focando especialmente em dois, mais duradouros), com a família e com a vida profissional que escolheu. É melhor ser feliz sozinha do que num casamento infeliz, com filhos mal amados, não? Julie vai decidir isso em sua trajetória, se descobrir saber o que ela quer. E deixar de ser coadjuvante em sua própria vida. Muito bacana. Num filme nada feminista ou maniqueísta. Apenas realista. Tomara que nunca seja refilmado por Hollywood.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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