‘Tarsilinha’, animação de Celia Catunda e Kiko Mistrorigo, estreia nos cinemas na próxima quinta

...

Foto: divulgação Pinguim Content
Credit...Foto: divulgação Pinguim Content

Produzido pela Pinguim Content e com distribuição no Brasil da H2O, o filme é uma aventura lúdica inspirada na obra da modernista Tarsila do Amaral (1886-1973), um dos principais nomes das artes plásticas do Brasil. A personagem principal mergulha na experiência sensorial proporcionada por obras da artista para tratar de temas como memória, amadurecimento e coragem.

A aventura começa quando a personagem tenta recuperar bens preciosos de sua mãe, suas mais marcantes recordações. O maior desafio é tentar superar obstáculos, se deparando com vilões perigosos, para conseguir resgatar esse tesouro.

Mas, ao longo da jornada aparecem também valentes aliados, sem os quais ela não conseguiria vencer os obstáculos. Tanto os aliados quanto os vilões ganham vida a partir dos quadros da artista. Da obra “A Cuca”, por exemplo, saem os vilões Lagarta e Tatu Pássaro. Daquele cenário imaginado por Tarsila também surge o sapo, fiel parceiro da protagonista.

 

Macaque in the trees
Celia Catunda (Foto: divulgação/Pinguim Content)

 

 

Macaque in the trees
Kiko Mistrorigo (Foto: divulgação Pinguim Content)

 

A atmosfera de Abaporu, considerada a peça mais valiosa das artes plásticas brasileiras, serve de referência para o momento crucial na busca pelas memórias de sua mãe. Assim, assume como ponto de partida a paisagem rural com a qual Tarsila do Amaral conviveu de fato.

As vozes dos personagens também são destaque na animação: a Lagarta, por exemplo, é interpretada pela atriz Marisa Orth, enquanto que a voz do funcionário da estação de trem é do apresentador Marcelo Tas. A ótima trilha sonora é de Zezinho Mutarelli e Zeca Baleiro

A diretora é criadora de séries de animação e de personagens. Com Kiko Mistrorigo, criou e dirigiu as premiadas séries “De Onde Vem?”, “Peixonata”, “O Show da Luna!”, entre outras.

Mistrorigo, por sua vez, é formado em Arquitetura pela USP e, junto com Célia, fundou em 1989 a Pinguim que, além de “Tarsilinha”, tem produzido uma divertida e educativa programação para crianças.

A estreia brasileira se dá no ano do centenário da Semana da Arte Moderna de 1922. O evento, celebrando o centenário da Independência do Brasil, se propunha a debater a identidade nacional do país por meio de diversas expressões artísticas. Participaram nomes fundamentais para a literatura, como Oswald de Andrade e Mario de Andrade; para a música, como Heitor Villa-Lobos; e para as artes plásticas, como Tarsila e Anita Malfatti.

“Tarsilinha” fez sua estreia internacional no Festival de Xangai (China), foi escolhido o melhor longa-metragem de animação latino-americano no Festival Chilemonos (Chile) e selecionado para o Festival de Chicago (EUA).

Falando em seu nome e no de Celia, Mistrorigo conversou com o JORNAL DO BRASIL sobre o surgimento da ideia para o filme que, em última análise, é uma homenagem a Tarsila, os desafios que precisaram ser vencidos e os resultados que esperam com sua realização.

 

JORNAL DO BRASIL - Como surgiu a ideia de relacionar o filme com o universo visual de Tarsila do Amaral?

Nós fomos procurados pela sobrinha neta da artista, a Tarsilinha do Amaral, para desenvolver um projeto de divulgação da obra da Tarsila entre as crianças. A obra dela já é bem conhecida no universo pré-escolar; existe um incrível diálogo com as crianças por ser um trabalho figurativo, lúdico, onírico e por que não, bem-humorado. As crianças são naturalmente atraídas pelo trabalho de Tarsila do Amaral. Este filme é uma grande homenagem a ela.

 

O filme fala de memória, busca de identidade, coragem... Foi difícil harmonizar todos esses elementos com a sintonia que o filme passa?

Sempre que nos deparamos com o desafio de criar uma boa história, procuramos aliar uma narrativa cativante com muitos acontecimentos e desafios que a criança possa se identificar e compreender. Estes três aspectos foram surgindo espontaneamente na medida em que desenvolvíamos o roteiro porque foram cruciais na vida da artista. E foram se encaixando e fazendo sentido, fortalecendo a nossa personagem principal Tarsilinha. Uma verdadeira heroína que encontrou dentro de si uma coragem até então inexistente para enfrentar uma aventura com enormes desafios, onde memória e identidade são apresentadas com suas camadas e conexões. Tarsilinha tem uma verdadeira transformação ao longo do filme que será facilmente reconhecida pelo seu público principal, as crianças.

 

O roteiro partiu das obras de Tarsila que vocês escolheram e foi uma escolha perfeita. Qual principal critério norteou essa seleção?

Fizemos uma extensa pesquisa, desconstruindo os principais trabalhos das fases pau-brasil e antropofágica. Uma grande coleta de elementos bem característicos de suas obras. Com essa incrível matéria prima, fomos encadeando os acontecimentos e escolhendo aonde iriam se passar. As obras foram então refeitas em 3D, já que os elementos foram pensados tridimensionalmente pela artista. Não animamos as pinturas. Na verdade, fizemos com que os espectadores entrassem nelas, literalmente.

 

‘Tarsilinha’ é um filme para criança, para o adulto, para a criança que existe em nós, enfim, para toda a família?

É um filme para a família. Para todos se envolverem, se emocionarem e se divertirem. Os adultos terão orgulho de apresentar uma das mais famosas artistas para as suas crianças. Esperamos que muitas conversas interessantes possam ser geradas entre adultos e crianças após assistirem ao filme. E que esta homenagem à Tarsila seja um alento ao momento tão sóbrio que vivemos e deixe uma rica e agradável ressonância na mente de todos que assistirem ao longa-metragem.



'Tarsilinha' fez sua estreia internacional no Festival de Xangai
Celia Catunda
Kiko Mistrorigo


Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais