Crítica - ‘A Ilha de Bergman’: um 'meta-filme' não apenas para fãs do diretor sueco

Cotação: três estrelas

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O novo filme da diretora francesa Mia Hansen-Love (do ótimo ‘O que está por vir’, com Isabelle Huppert), ‘A Ilha de Bergman’, propõe um jogo entre a ficção e a realidade, com um flerte forte para os cinéfilos: ao mesmo tempo em que brinca com fatos de sua vida (ela foi lançada como atriz por/tem uma relação afetiva com o diretor francês Olivier Assayas, de ‘Personal shopper’), nos leva a conhecer a morada do diretor sueco Ingmar Bergman, na remota ilha Faro, que fica no mar Báltico, próximo à Suécia, e onde Bergman viveu recluso até sua morte, em 2007. E fez o lugar ficar conhecido como ‘a ilha de Bergman’.

A parte que mistura ficção e realidade é a em que mostra a relação entre os cineastas Tony (Tim Roth) e sua companheira Chris (Vicky Krieps, de ‘Trama fantasma’), que vão para a ilha Faro em busca de inspiração para os próximos filmes deles. Lá, respirando os ares de Bergman (se hospedam na casa onde o diretor morou e dormem na cama usada em ‘Cenas de um casamento’), tentam dar sentido à sua própria relação, enquanto vão visitando partes da ilha que apareceram em filmes do sueco. Para cinéfilos é uma delícia fazer esse passeio, tão inacessível para a maioria. E, como na vida real, há gente na ilha que não tem a menor ideia de quem foi Bergman. Assim como em Salzburgo, muita gente não conhece ‘A noviça rebelde’, apesar do famoso passeio que rola lá.

Então, depois de uma hora do ‘filme principal’, entra o filme dentro do filme, ‘O vestido branco’, que é o roteiro que Chris está elaborando. Nele uma jovem chamada Amy (Mia Wasikowska) vai à ilha Faro para o casamento de uma amiga, e lá encontra seu antigo namorado, Joseph (Anders Danielsen Lie). Os dois, atualmente, estão em outros relacionamentos. Mas a antiga chama se acende e sentimentos afloram.

Sem saber como acabar o roteiro que está escrevendo, Chris pede ajuda a Tony, que não lhe dá muita atenção. Então, no epílogo de ‘A ilha de Bergman’, acontece o momento ‘meta’, quando ficção e realidade se misturam (com Bergman Jr e tudo, o filho do cineasta aparece numa ponta), e a gente descobre o que realmente aconteceu durante a estada do casal em Faro (ou será que o que vemos no final aconteceu tempos depois?). É bastante intrigante.

O que aconteceu, de fato, fica a critério da imaginação do espectador. O que importa é que ‘A ilha de Bergman’ (uma produção da RT Filmes, do brasileiro Rodrigo Teixeira) tece uma trama curiosa que nos mantém interessados. E, de quebra, nos leva num belo tour pela fascinante e isolada ‘ilha de Bergman’, nos revelando (através de conversas com moradores locais) como era, na realidade, o aclamado diretor (‘grosseiro’, ‘arredio’, dizem). O filme não faz questão de endeusar o sueco. E nem de nos explicar tudo. Um dos males do cinema moderno. Aproveite o passeio.

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