CINEMA

Crítica - O novo ‘Pânico’ honra o original

Cotação: três estrelas

Por TOM LEÃO
nacovadoleao.blogspot.com.br

Publicado em 18/01/2022 às 11:55

Alterado em 18/01/2022 às 11:55

O novo 'Pânico' (que estreou no topo das bilheterias americanas), embora não seja muito assustador, é fiel ao original Foto: divulgação

O cinema recente já nos ensinou que não se deve fazer reboots (recomeçar do zero) de séries famosas. Nem remakes preguiçosos. Os fãs não gostam. E acaba que ‘dá ruim’ nas bilheterias. Revisitar ou criar um remake ligado ao original, que faça sentido, é o melhor caminho. Vide o novo ‘Ghostbusters’.

Este (o da revisitação, numa espécie de continuação tardia) é o caminho que o novo filme da série ‘Pânico’ segue, com resultados melhores do que o recente ‘Matrix’, por exemplo. Porque, se ‘Matrix’ tem apenas a si mesmo como referência, ‘Pânico’ (‘Scream’, no original) tem todo o universo dos filmes de terror que vieram depois do fim dos anos 70. Como as sagas dos assassinos em série Michael Myers ‘Halloween’) e Jason Vorhees (‘Sexta-feira 13’). O ‘Pânico’ original, de 1996, já era uma homenagem a estes filmes. O novo faz uma atualização do gênero, sem nunca perder de vista o original e suas inspirações. É um filme para fãs desse tipo de terror, digamos, menos sofisticado.

Assim, com um roteiro bem urdido, atores do filme original e de suas sequências (cada uma pior do que a outra) toparam, uma vez mais, revisitar a cidadezinha de Woodsboro, na Califórnia, para um novo encontro com o assassino na máscara de fantasma (ghostface killer). Estão lá a mocinha original Sidney (Neve Campbell), o policial Dewie (David Arquette) e a jornalista carreirista Gale (Courtney Cox), junto a uma nova turma composta por fãs de filmes de terror atuais e adoradores do original, que, no universo em que se passa o filme, se chama ‘Stab’ (facada).

Se as jovens atrizes principais do novo filme (Jane Ortega e Melissa Barrera) não têm o carisma das scream queens originais, pelo menos, o mistério de quem é (ou quem são) os novos assassinos é mantido até o fim (apenas os muito experientes no gênero vão perceber quem é um deles logo), fazendo com que o espectador brinque de detetive mentalmente. E outros rostos conhecidos do passado, como as atrizes Marley Shelton e Heather Matarazzo, reaparecem.

No fim das contas, 25 anos depois do primeiro ‘Scream’, temos, enfim, um filme que honra o legado do falecido diretor do original, Wes Craven (que foi também o ‘pai’ de Freddy Krueger da série ‘A hora do pesadelo’), e do roteirista original Kevin Williamson (que reinou neste tipo de filme nos anos 90). Os novos roteiristas, James Vanderbilt e Guy Busik, foram com respeito e boas ideias no material e souberam brincar com os elementos (embora não seja realmente um filme assustador). E, do jeito que concluiu, não deixa muita chance para mais continuações oportunistas. Se bem que, como em todo bom filme de terror, o assassino sempre acaba voltando, de uma forma ou de outra. Tudo depende, no geral, da bilheteria.

 

_______

 

COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

Tags: