Crítica - ‘West Side Story’: remake fiel, mas diferente

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Para que fazer um remake de "West Side Story", clássico do cinema musical, que ficou mais marcado por suas músicas do que pelo filme propriamente (longo e algo entediante, batizado em português de "Amor, sublime amor")? A resposta, quem dá é o próprio diretor, Steven Spielberg, estreando no gênero: em entrevistas recentes, ele disse que, quando pequeno, final dos 50s, ouviu a trilha do musical da Broadway com os pais e ficou maravilhado. Na década seguinte, viu o filme. E sempre quis fazer uma versão. Agora chegou o momento ideal, com os temas raciais e sobre diversidade permeando tudo. Valeu a tentativa.

Como fã, Spielberg foi fiel, basicamente, a duas coisas: a primeira, manter a trama passada na mesma época, 1957, em Nova York, quando a cidade passava por uma grande transformação imobiliária, com bairros inteiros (povoados por imigrantes brancos e latinos) indo abaixo para dar lugar a prédios de classe média. A segunda, usar da mesma fotografia do filme de 1961 (lá se vão 60 anos!), dirigido por Robert Wise (‘A noviça Rebelde’), um amarelado escuro que, às vezes, dá a impressão de que estamos vendo um filme de época, remasterizado. Causa boa impressão visual. Mas sua melhor decisão foi não ter feito um remake ao pé da letra. Aqui e ali, ele inseriu toques diferentes.

De resto, temos as magníficas canções de Stephen Sondheim (que viu o remake pouco antes de falecer), maravilhosamente embaladas pela orquestração de Leonard Bernstein, feitas em cima de texto de Jerome Robbins (que escreveu a peça). Que extrapolaram o filme, tocaram nas rádios e, até hoje, estão no imaginário popular. Como "America" e "Tonight". De quebra, a participação afetiva de Rita Moreno, que fez Anita no original (e ganhou Oscar), aos 90 anos. O filme original ganhou 10 Oscars, incluindo os de melhor filme e direção. Um tanto exagerado.

A trama, que envolve o amor proibido entre Tony, um jovem branco (Ansel Egort, de "Baby Driver") que faz parte da gang dos Jets; e Maria (Rachel Zegler), uma moça latina que, ainda por cima, é irmã do líder da gangue rival, os Sharks, atualiza elementos de Shakespeare (o roteiro é levemente baseado no de ‘Romeu & Julieta’) para um ambiente contemporâneo, fazendo críticas social e política ainda válidas.

Contudo, não há a mesma química que havia entre o casal dos 60s (Natalie Wood fez Maria) e o atual. Já Mike Feist, faz um Riff (líder dos Jets) tão bom quanto o fez Russ Tamblyn no original. No entanto, o boxeador e líder dos Sharks, Bernardo (David Avarez), não tem a mesma presença de George Shakiris, o dos 60s (que lhe deu Oscar). Apenas a etnia certa. Sua namorada, Anita (a exuberante Ariana Debose), foi ‘escurecida’, para dar mais diversidade ao filme, que também conta com uma personagem homossexual, ausente nos 60s.

Tratando de assuntos semelhantes (gentrificação, racismo etc), e passado nos tempos atuais, o recente musical latino ‘Em um bairro de Nova York’ (‘In the heights’) é melhor dançado e atuado que este (só perde nas músicas). Mas não tem o nome de Spielberg no letreiro e foi ignorado. Compare.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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