Crítica - ‘Casa Gucci’: novelão de luxo

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Já nos acostumamos a ouvir atores americanos e ingleses fazendo papeis de italianos ou franceses no cinema, falando com sotaque. Ainda que soe um bocado bizarro. Mas isso é feito para agradar ao mercado internacional e o filme não ter legendas (que ‘atrapalham’). Contudo, em ‘Casa Gucci’ (‘House of Gucci’), isso chega a incomodar. Porque a maioria dos atores é de americanos fazendo italianos, mas falando inglês com sotaque caricato. Às vezes dá vontade de rir. Será que os italianos também riem?

Bom, tirando isso, o segundo filme de Ridley Scott que chega às telas no espaço de dois meses (o outro, foi o superior ‘O último duelo’) vem sendo previamente badalado por ser ‘o filme da Lady Gaga’. Não é bem assim. Embora o personagem de Miss Germanotta (Patrizzia Reggianni, depois Gucci) seja o pivô da trama - que envolve traições nos negócios e no amor, na tradicional Família Gucci, que acabou em morte -, roubam o filme, como coadjuvantes de luxo, Al Pacino (Aldo Gucci) e Jared Leto (o esquisitão filho de Aldo, Paolo). Gaga está bem melhor no re-re-remake de ‘Nasce uma estrela’. Aqui está à beira da vilã malvada de novela. E o coprotagonista Adam Driver (Maurizzio Gucci), que também esteve em ‘O último duelo’, está apenas ok. Os herdeiros Gucci não gostaram dele no papel. Falta-lhe certa classe.

Baseado em fatos reais e adaptado de livro que conta a guerra interna que aconteceu entre os herdeiros Gucci após a morte do patriarca Rodolfo (feito por Jeremy Irons), quando o tio e o primo de Maurizzio (Aldo e Paolo) precisaram ser jogados para escanteio, para que os negócios seguissem adiante, a trama renderia muito melhor numa minissérie. Porque em duas horas e meia não dá para detalhar tudo (o filme se passa do fim dos 70s a meados dos 90s, com vários pulos na narrativa e anacronismos), e fica muito por contar. A trama foca-se, sobretudo, no relacionamento de Maurizzio e Patrizzia (Driver e Gaga), e de como esta, qual uma lady Macbeth, plantou ideias malignas na cabeça dos herdeiros. Que acabaram por brigar pelas ações da empresa. O que resultou em consequências ruins para todos os envolvidos.

Mas como a maioria das pessoas que forem ao cinema assistir a ‘Casa Gucci’ não devem ter muita ideia da história verdadeira (na época, esteve nas páginas policiais de jornais internacionais em tempos pré-internet, não demos bola), o filme deve agradar aos fãs de Gaga, que tem umas boas tiradas de italiana esquentada. Porque depois que ele sai da parte do romance (a primeira metade) e entra na parte dos negócios (tem pouco de mundo fashion e do glamour), vai esfriando gradualmente. Ficou na promessa.

 

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