Crítica - ‘Ghostbusters: Mais Além’ – Mexe no passado sem estragar a mitologia

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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‘Os Caça-fantasmas’ original (‘Ghostbusters’, 1984) é uma comédia bacaninha que mostra um grupo de caçadores de fantasmas em Nova York que não são levados a sério. Até que surge uma ameaça realmente do além que pode destruir a cidade. Nessa hora, quem vamos chamar? Os Caça-fantasmas! Deu tão certo que, além da boa bilheteria, virou filme de culto e originou uma (fraca) continuação em 1989.

Décadas depois tentou-se um remake (‘Caça-fantasmas’, 2016), desta vez com protagonistas femininas. Não deu certo. Não tinha a magia do original, e apenas trocava o sexo dos personagens principais. Depois desta tentativa, parecia que a ideia tinha sido enterrada para sempre. ‘Ghostbusters’ viveria em nossa imaginação, nas reprises. E nos desenhos animados, que deram mais certo.

Contudo, eis que Jason Reitman, filho de Ivan Reitman, diretor do filme original, aparece com uma boa ideia: em vez de mais um remake para as novas gerações, uma continuação tardia. Os caça-fantasmas originais estão aposentados. Mas no interior americano, para onde um dos remanescentes (Egon Spengler) fugiu, a neta dele, Phoebe, que herda seu espírito de caçador de ectoplasmas, descobre o trabalho do falecido avô. E vai além. Assim começa a nova trama.

E ‘Ghostbusters: Mais Além’ é isso: uma nova trama totalmente conectada com o passado, mas trazendo sangue novo para a série. A neta Spengler (feita com extremo talento por McKenna Grace) tem todos os trejeitos e até usa óculos iguais aos do avô (feito pelo falecido Harold Ramis, um dos autores do roteiro do original, junto com Dan Aykroyd). A esperta menina descobre que o trabalho do avô era impedir que o espírito de Zuul, que aparece no segundo filme da série, retorne ao nosso mundo, desta vez para acabar de vez com a raça humana. Quem vai impedir?

O roteiro é muito bem construído. Reitman filho (que obteve notoriedade com a ‘dramédia’ indie ‘Juno’) soube misturar bem os elementos, e conseguiu alcançar o ponto de equilíbrio entre nostalgia (os fãs não terão do que reclamar, até se emocionarão em certas partes) e entretenimento atual, criando um filme que trafega entre a fantasia e aventura, que vai agradar às novas plateias sem muito esforço. Porque os personagens são bem desenvolvidos, e a trama nos leva junto na exploração do novo mistério. E tudo isso sem uso excessivo de efeitos especiais, como nos filmes atuais. É um prazer de ponta a ponta.

Não importa o sucesso que ‘Mais Além’ venha fazer, pois nem será preciso criar mais um capítulo. Foi tudo tão bem amarrado e finalizado, que o finado Ramis teria orgulho de Reitman Jr. Mas quem vamos chamar para um próximo? Só há uma resposta.

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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