Crítica - ‘Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente': misto de documentário com animação

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Estreou na quinta-feira (11), nos cinemas de algumas cidades brasileiras (entre elas, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Manaus, Maceió, Fortaleza, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte), “Bob Cuspe: Nós Não Gostamos de Gente”, de Cesar Cabral.

Mas não espere um filme óbvio com o icônico personagem do cartunista Angeli, o punk Bob Cuspe. Na verdade, é uma mistura de documentário e animação, entremeando uma conversa com Angeli e uma história paralela com Bob (cuja voz é feita pelo ator Milhem Cortaz). Tudo em animação stop-motion, inclusive Angeli e depoentes, como Laerte e outros.

Por isso, além de destacar o humor e a estética típica da obra de Angeli, o longa - que ganhou o principal prêmio da Mostra Contrechamp, em Annecy, que é o maior festival de animação do mundo - alterna momentos de animação com depoimentos do próprio, numa mistura de gêneros (documentário, comédia). Ele teve sua primeira exibição, no Brasil, na 45ª Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo.

O roteiro conta a história do protagonista, agora um velho punk, tentando escapar de um deserto pós-apocalíptico que, na verdade, é um purgatório na mente de seu criador, que passa por uma crise criativa. E nos revela que ele é Bob Cuspe em espírito, desde criancinha. Além de Cortaz, o filme conta com dublagens de Paulo Miklos (tem muito Titãs na trilha), André Abujamra e Grace Gianoukas, combinando a história de ficção com depoimentos sobre o processo de criação do cartunista, que revisita o seu passado, nos revelando detalhes da carreira. E afirmando, várias vezes, que ele não é mais aquele Angeli dos tempos da revista ‘Chiclete com Banana’.

Outros personagens clássicos de Angeli, como o guru Ralah Ricota e os Skrotinhos, também aparecem - rapidamente -, no filme, que introduz uma dupla de mutantes (os Irmãos Kowalski) que inferniza Bob; que, por isso, os mantém cativos em seu porão. E nem mesmo Rê Bordosa (que ‘morreu’) ficou de fora. Na trilha sonora, muito punk rock paulistano, como Inocentes e Mercenárias, por exemplo.

Cesar Cabral é diretor geral da série de animação “Angeli The Killer”, cuja primeira temporada foi exibida em 2017 pelo Canal Brasil, e a segunda está em finalização. “Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente” é o seu primeiro longa-metragem. E, assim como o personagem, é niilista e nada óbvio. O que pode causar estranheza em alguns que forem ao cinema apenas em busca de humor. Principalmente pelo final, que o torna quase um meta-filme cabeça. Uma bela cusparada.

 

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