‘Curral’ - Tênue fio ente documentário e ficção

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Foto: Daniela Nader/divulgação
Credit...Foto: Daniela Nader/divulgação

“Curral”, premiado drama de Marcelo Brennand, estreia nessa quinta-feira (11) nos cinemas do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Aracaju e Brasília.

Em 2008, o diretor recifense dirigiu o documentário “Porta a Porta”, que acompanha a trajetória de candidatos a vereador da cidade de Gravatá (PE) e as estratégias dos seus cabos eleitorais para conquistar votos da população. Inspirado no sucesso do filme, que foi lançado em 2011, ele criou a história de “Curral”, seu primeiro longa-metragem de ficção, que faz uma ponte bem próxima com a vida real.

Trazendo no elenco Thomás Aquino, Rodrigo García, Carla Salle e José Dumont, e rodado no interior do Brasil na mesma cidade de Gravatá, o filme é ambientado durante as eleições, quando a população se divide entre as cores Azul e Vermelho, que representam os partidos políticos e sua luta pelo poder.

A história segue Chico Caixa (Aquino), um homem humilde e ex-funcionário da distribuidora de água da cidade, que sofre com a escassez hídrica. Ele é recrutado por um amigo de infância, o advogado Joel (García), que precisa conquistar votos de um bairro popular fundamental para se tornar vereador. Para alcançar o objetivo, eles usam o fornecimento de água como moeda de troca com a população. Chico se vê confrontado entre suas necessidades financeiras e seus princípios éticos.

 

Macaque in the trees
Cena do longa Curral (Foto: Daniela Nader/divulgação)

 

Dumont interpreta Vitorino, o inescrupuloso prefeito da cidade buscando uma reeleição a qualquer custo.

“Curral” teve première mundial na 44ª Mostra de São Paulo e já conquistou os prêmios de melhor contribuição técnico-artística no 46º Festival de Huelva (Espanha) e Melhor longa-metragem de ficção no Festival de Cinema do Brooklyn (Nova York).

O filme integrou também o Festival du Cinéma Brésilien de Paris, onde, além da sessão no evento, teve uma exibição adicional a convite da vereadora parisiense Geneviéve Garrigos, no Hotel de Ville, prédio que abriga as instituições do governo municipal.

Numa coletiva de imprensa nessa terça feira (9) com o diretor Brennand e os atores Rodrigo García e José Dumont, os assuntos giraram em torno da motivação para fazer o filme, a proximidade do drama com a vida real e a universalidade do tema.

Brennand iniciou a entrevista falando da origem do filme e contando que embora seja um drama, sua ideia era focar no documental.

“Após filmar o documentário “Porta a Porta” em 2008, decidi voltar ao tema para abordar algumas impressões em uma obra ficcional, mas mantendo os laços com a realidade que eu encontrei durante o documentário. Durante o desenvolvimento do roteiro junto com Fernando Honesko, que é paranaense, mas vive em São Paulo, fiz questão de levá-lo a Gravatá para conhecer as locações e entender a realidade dos personagens do filme. Na preparação do elenco, Rene Guerra assumiu o desafio de conectar os personagens reais (figuração) com atores profissionais. Seu trabalho trouxe uma carga dramática para o filme e uma narrativa realista”, ressaltou o diretor.

Respondendo a uma pergunta sobre como foi a composição do seu personagem, García disse, embora sem citar nomes, que se inspirou em muita gente conhecida.

Brennand falou sobre Mariana, papel interpretado por Carla Salle, que não pôde estar na coletiva: “Mariana tem uma relação de pertencimento, uma relação afetiva muito grande com a terra. Ela não quer sair de Gravatá e eu quis passar isso”, disse o cineasta.

Perguntado sobre a pequena participação que tem no filme, Dumont disse que interpretar o prefeito foi algo novo em sua carreira, já que sempre interpretou alguém do povo.

“Mas gostei muito de fazer o personagem, ele mostra as manobras ocultas que existe nos bastidores do poder. O personagem não precisa ter tamanho, o importante é que ele seja bom”, disse o excelente ator que, mesmo fazendo um papel pequeno, rouba a cena.

Ao final, Brennand disse que, em escala menor, “Curral” é uma ilustração do jogo político que acontece em qualquer lugar do mundo. Quando a carência leva as pessoas a abrir mão dos seus ideais e perspectivas de mundo, acontece o que vemos na tela e no nosso cotidiano”, disse o diretor, ressaltando que o debate dos protagonistas é universal, não apenas daquele lugar ou daquela cultura.

“O filme fala do racismo, do machismo, da questão ambiental, da relação com a natureza e da água que permeia toda a trama e é moeda de troca no curral eleitoral. É uma história que dialoga muito com a realidade de hoje”, enfatizou.



Diretor Marcelo Brennand
Cena do longa Curral


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