Crítica: ‘007 – Sem Tempo Para Morrer’, a última vez de Daniel Craig como Bond

Cotação: três estrelas

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O 25º filme da longeva série do agente britânico (vai fazer 60 anos!) James Bond, ‘007 – Sem Tempo Para Morrer’ (‘No Time to Die’), que iria estrear no final de 2019 (mas a pandemia não deixou), finalmente, chegou. E, além dos adiamentos, também enfrentou a saída do diretor original (que seria Danny Boyle, que pediu o boné por ‘diferenças criativas’) e a partida de Daniel Craig, que mesmo antes de tudo isso já anunciara que não iria retornar ao papel.

Então, é com grande expectativa que o filme chega às telas do planeta. Serão correspondidas? Se você for um fã de primeira hora, vai reclamar de uma coisa aqui e outra ali (como a falta das silhuetas de mulheres sensuais na abertura, por exemplo). Mas, se quer um bom filme de ação, o terá. Embora irregular. Sim, porque o filme tem quatro roteiristas (entre eles, o próprio diretor, Cary Fukunaga, e a aclamada Phoebe Waller-Bridge, da excelente série de espionagem ‘Killing Eve’), e essa quantidade de mãos escrevendo deixa o filme com partes boas e outras nem tanto.

A abertura, por exemplo, é das melhores de um Bond movie, em anos. De tirar o fôlego. Reencontramos o agente duplo zero curtindo seu amor, Madeleine Swann (Léa Seydoux), em alguma parte da Itália. Até que as coisas desandam, e os dois são abruptamente separados. Depois de um hiato de cinco anos, quando Bond se ‘aposenta’, na Jamaica, é convocado para uma última missão, pelo amigo americano, o agente da CIA Felix Leitner (Jeffrey Wright). E só topa por conta da namorada sumida. Nesse meio tempo, entra em cena o clássico vilão Bond, Stavro Blofeld (Christopher Waltz) e uma nova mente doente que quer dominar o mundo, Lyutsifer (Lúcifer?) Safin (Rami Malek, o Freddie Mercury, do ‘filme do Queen’), que planeja espalhar um vírus mortal (!) no planeta.

No desenrolar do longo filme (quase três horas! poderia ser menos, sem comprometer nada), somos apresentados a uma nova agente coadjuvante, a cubana Paloma (Ana de Armas, radiante) e uma nova agente do MI6, a durona Nomi (Lashana Lynch). É aí que vemos onde estão as partes destoantes do roteiro. A cena com Paloma é muito bem desenvolvida (e ela é ótima). Já a introdução de Nomi, como uma nova 007, soa bem forçada. E algumas perseguições, na segunda metade do filme, parecem anúncios de veículos Land Rover (Fukunaga, de fato, dirigiu filmes para a marca inglesa). Para completar, a motivação do novo vilão, Safin, não é muito clara. Ele soa um bocado robótico e unidimensional. E ainda há uma surpresinha para Bond, um tanto exagerada.

No fim das contas, as partes boas de ‘No Time to Die’ são maiores do que as ruins. Mas, para ser um filme despedida de Craig, ele deixa algo a desejar (o diretor não vai deixar saudades). E fica bem distante do primeiro da fase Craig, ‘Casino Royale’ (2006), o melhor. No entanto, fecha as pontas dos quatro filmes desta fase. E mesmo que o ator não volte, a famosa frase ‘James Bond irá retornar’ aparece, como de praxe, no final dos créditos.

Quem será?

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COTAÇÕES: ***** excelente / **** muito bom / *** bom / ** regular / * ruim / bola preta: péssimo.

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