Filme premiado em Berlim estreia nos cinemas

.

Foto: Octavio Arauz
Credit...Foto: Octavio Arauz

“Los Lobos”, o comovente filme do diretor mexicano Samuel Kishi, estreia nessa quinta feira (16) nos cinemas brasileiros.

O drama semiautobiográfico foi exibido na 70ª edição do Festival de Berlim, onde ganhou o Urso de Cristal, prêmio do júri internacional da Generation K-Plus.

A mostra, uma das paralelas mais prestigiadas da Berlinale, é destinada aos adolescentes, e o júri é formado também por jovens. As exibições tiveram lotações esgotadas com ótima receptividade da audiência.

No Brasil, foi exibido na 9ª edição do Olhar de Cinema, Festival Internacional de Curitiba, onde também recebeu a premiação de melhor filme da mostra.

A história segue os irmãos Max (Maximiliano Nájar Márquez) e Leo (Leonardo Nájar Márquez) que, junto com sua mãe, Lúcia (Martha Reyes Arias), cruzam a fronteira entre o México e os Estados Unidos em busca de uma vida melhor. Lucia se desdobra em vários empregos por não ter os documentos legalizados como imigrante. Ao sair para trabalhar deixa as crianças trancadas no pequeno apartamento, onde eles constroem um universo imaginário com seus desenhos, pensando na promessa da mãe de levá-los à Disneylândia, um dos símbolos de atração do país norte-americano.

Um ponto alto no filme é a acertada decisão do diretor de mesclar traços culturais mexicanos e norte-americanos como a música festiva do Dia dos Mortos (México) e a comemoração do Halloween (EUA).

A preparadora do elenco foi a brasileira Fátima Toledo – de títulos famosos como “Central do Brasil” e “Tropa de Elite” –, que conseguiu uma ótima atuação dos atores mirins, também irmãos na vida real.

Na Q&A (perguntas e respostas) após a projeção no festival, as perguntas giraram em torno das razões dos personagens precisarem deixar seu país e questões ligadas à imigração.

O diretor contou que o filme é inspirado em sua história de vida quando sua mãe e o irmão caçula foram para os EUA e ela os deixava no pequeno apartamento para ir trabalhar.

“Os espectadores se solidarizaram com o filme, houve muita empatia, mas fica até difícil explicar algo tão doloroso e profundo sobre a migração que os personagens do filme são forçados a fazer”, disse Kishi, de 37 anos, que já tinha participado do festival na mesma mostra com “Somos Mari Pepa” (2014), seu primeiro longa-metragem.

“Los Lobos”, além de abordar um tema sério e atual, foi uma das produções mais tocantes exibidas nas paralelas da Berlinale/2020.

Por último, vale lembrar que nessa mesma edição da Generation – que se subdivide em Kplus (onde “Los Lobos” foi o vencedor) – a 14Plus, segunda parte da mostra, premiou o brasileiro “Meu Nome é Bagdá”, de Caru Alves de Souza.