Crítica - ‘Infiltrado’: remake que deu certo

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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Faz algum tempo que o diretor inglês Guy Ritchie não dirige um material original com sucesso. Seus últimos filmes, como “Magnatas do Crime” (“The Gentlemen”, que vai virar série de TV) e “Rei Arthur: a Lenda da Espada”, não foram muito bem de bilheteria. No entanto, quando ele dirige projetos alheios (como o live action de “Alladin”, para a Disney) ou remakes, se sai melhor. É o caso de “Infiltrado” (“Wrath of Man”), remake do obscuro filme francês “Le Convoyeur”, que é superior ao original.

Estrelado pelo famoso careca dos filmes de ação, o inglês Jason Statham (que já trabalhou com Ritchie em filmes como “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e “Snatch: Porcos e Diamantes”), o diretor mudou o cenário, de um subúrbio de Paris para outro de Los Angeles, nos Estados Unidos, e adicionou mais personagens e cenas ação, sem desvirtuar o sentido do original. O filme acompanha Patrick Hill, um homem misterioso que se infiltra em uma empresa de carros-fortes para encontrar o responsável pela morte de seu filho. A diferença básica para o original é que “Infiltrado” tem uma produção mais requintada. E mais tiros. O francês é bem mais simples, no geral.

Nesta versão, Statham faz um cara frio e distante, conhecido apenas como H, que não se envolve com os demais companheiros da empresa de segurança; e cuja vida pessoal é um mistério (é conhecido apenas como um cara durão, como segurança). Ele quer apenas conhecer a mecânica da empresa, de como os carros-fortes são carregados, por onde passam e como resistem a eventuais ataques. Aos poucos ele vai engendrando a sua vingança pessoal que não nos é revelada de cara.

Para variar, Statham faz quase todas as suas próprias cenas de ação, o que torna tudo ainda mais eletrizante. Como curiosidade, numa participação especial, do tipo ‘piscou, perdeu’, o famoso rapper Post Malone participa de uma cena violenta. A combinação da ação com um bom elenco deu liga. E, ao contrário de filmes recentes de Ritchie, este fez mais de US$ 100 milhões de dólares, mundialmente.
No elenco de “Infiltrado”, discretamente, está também Andy Garcia, no papel de um tipo ainda mais misterioso: um agente (da CIA? do FBI?) ao qual o personagem de Statham se reporta (não sabemos por quê) e que não existe no filme original. No fim das contas, o saldo é positivo para todos os envolvidos nesta adaptação.

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