Crítica: ‘Aqueles que me desejam a morte’

Cotação: duas estrelas

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Quando vi o nome de Taylor Sheridan como diretor e roteirista deste ‘Aqueles que me desejam a morte’ (‘Those who wish me dead’), imaginei nada menos do que um brilhante filme de ação. E com um roteiro bem escrito. Ainda mais por ser adaptação de um bom livro homônimo, de Michael Koryta. Afinal, Sheridan (que também é ator, não neste) é o nome por trás dos roteiros de filmes brutos e tensos, como ‘Sicário’ (‘Sicario’, 2015), ‘A qualquer custo’ (‘Hell & high water’, 2016) e ‘Terra selvagem’ (‘Wind river’, 2017), todos bastante satisfatórios como cinema. E repletos de situações fortes e desorientadoras.

Infelizmente, não é o caso do filme em questão. Apesar de se passar em terreno que ele domina bem (áreas isoladas dos Estados Unidos, onde o homem luta contra a natureza e, principalmente, contra o próprio homem) e contar com Angelina Jolie encabeçando o elenco, parece que Taylor se enrolou ao dividir os dois postos, os de dirigir e escrever. Ainda que o filme seja satisfatório para os menos exigentes, quem conhece o trabalho de Sheridan notará que nem parece que é ele quem está no comando deste. É bastante irregular.

A trama, que envolve dois assassinos cruéis e meio atrapalhados (os ingleses Aidan Gillen e Nicholas Hoult), atrás de um menino (Finn Little) que escapou de uma queima de arquivo (que matou seu pai) e acaba nas mãos de uma patrulheira florestal (uma pouco inspirada Jolie), prometia bem mais. Em dado momento, todos os personagens citados (e mais alguns) e os caminhos da trama se perdem no meio de um grande incêndio que ocorre na parte final. E a conclusão não leva para o mesmo incomodo seco que Sheridan costuma nos dar. É bem mais arrumadinho e a serviço dos efeitos especiais (que nem são tão bons). A gente não consegue simpatizar com nenhum dos personagens centrais, que não se desenvolvem a contento.

Como Sheridan (que ia apenas roteirizar), acabou se envolvendo com a direção, meio de emergência (o diretor escalado desistiu em cima da hora), e Jolie só está no filme por ele, a gente dá um desconto. Mas fica a sensação de que poderia ter sido bem melhor.