O oportuno documentário ‘Saúde tem cura’, de Silvio Tendler, tem pré-estreia nesta terça

Filme em defesa do Sistema Único de Saúde terá estreia nacional nessa quarta, no Youtube. O cineasta conversou com o JB

Foto: Xeno Veloso/divulgação
Credit...Foto: Xeno Veloso/divulgação

O filme, realizado com o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), aborda a potência e as fragilidades do Sistema Único de Saúde (SUS), que atende cerca de 190 milhões de pessoas gratuitamente. Mostra como era o Brasil antes da criação do SUS, há cerca de 30 anos, fala da luta para que o sistema fosse inscrito na Constituição de 1988, traça um panorama do SUS na atualidade e pensa o futuro da saúde pública.

O diretor ouviu depoimentos de profissionais da Saúde que participaram da criação do sistema, como Lúcia Souto e José Noronha; de médicos que são referência, como Dráuzio Varella, Paulo Niemeyer e Margareth Dalcolmo; de representantes da sociedade civil, como o padre Júlio Lancelotti; de profissionais que atuam no dia a dia do sistema, em diversos níveis de complexidade, e de usuários.

Entre os inúmeros depoimentos, vale citar alguns:

“O SUS é o maior sistema de distribuição de renda, ele contribuiu muito para a redução da desigualdade social no Brasil”, declara Dráuzio Varella, médico oncologista.

“Eu considero o SUS a nossa arma mais poderosa, mais precisa e que tem que ser defendido a qualquer custo”, atesta Margareth Dalcolmo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz.

Paulo Niemeyer Filho, diretor do Instituto Estatual do Cérebro-RJ, diz que “O SUS foi a coisa mais importante que se fez neste País”.

O próprio Tendler também dá o seu depoimento no início do documentário. “Este filme tem muitos começos. Aprendi em casa, com a dra. Sarah Tendler, minha mãe, a importância da saúde pública. Pediatra e psicanalista, ela iniciou a carreira no IAPM e se aposentou no Posto de Atendimento Médico da Rua Venezuela, no Centro do Rio de Janeiro. Em 1988, acompanhei a luta de Sérgio Arouca e tantos outros pioneiros na Constituinte, para fazer da saúde um bem público. Quando um problema de medula me jogou em uma cadeira de rodas, aprendi com os drs. Paulo Niemeyer, Fernando Portela e Arno Ristow que medicina é arte. Sem eles, eu não estaria aqui para contar essa história”, ressalta o diretor.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, Tendler falou sobre a motivação para realizar o filme, a diretriz que seguiu para escolher as pessoas que deram depoimentos para o longa-metragem e sua expectativa com os resultados deste trabalho.

 

JORNAL DO BRASIL: Qual a maior motivação para ter realizado “Saúde tem Cura”, um documentário importantíssimo neste momento que estamos vivendo.

SILVIO TENDLER: Bom, começou pela minha própria saúde, sempre muito frágil. Na infância eu tive bronquite, jovem, diabete, fiquei tetraplégico e sempre vi a importância da medicina e da saúde”. Sou filho de médica do sistema público de saúde. Minha mãe se formou em 1950, no ano em que eu nasci. Então eu acompanhei a vida dela, e os colegas de turma me chamavam de acadêmico, de colega. Eu vi a destruição da Escola Nacional de Medicina, um prédio lindíssimo, para construir a Escola de Guerra Naval. Então tudo isso me motivou a defender o sistema público de saúde acessível a todos. E aí a minha geração, que lutou pela anistia, pela redemocratização, pelas Diretas Já, na Constituinte lutou pela criação do Sistema Único de Saúde, o SUS. Entrei nessa luta nos anos 1980 e sigo nela até hoje.

 

Há depoimentos de nomes consagrados na saúde. Qual foi a diretriz que você seguiu para a seleção desses nomes?

Eu trabalhei tanto com nomes consagrados, como o dr. Gonzalo Vecina, o dr. Paulo Niermeyer, Margareth Dalcomo, Dráuzio Varella, quanto com lideranças comunitárias como o Rumba Gabriel, médicas populares, médicas que sabem dessa importância da saúde pública. E talvez o depoimento que mais me emocionou foi o da Jurema Werneck, uma médica negra que eu conheci há muitos anos, que me levou inclusive para abrir a Conferência Nacional de Saúde. Ela hoje é representante da Anistia do Brasil, e contou sua própria história pessoal, que a mãe morreu por falta de atendimento. Ela se formou médica e participa dessa luta. É o depoimento que mais me representa.

 

Como você acha que o documentário vai contribuir não só para resgate da imagem do SUS, mas também para melhoria da saúde, maior conscientização de nossos governantes e para o cinema de modo geral?

A pandemia da covid serviu como um alerta da necessidade de uma saúde pública de qualidade. O documentário vai sacramentar isso, que é de conhecimento de todos: a importância de uma saúde pública de qualidade. Isso é uma coisa que começa a se expandir como um todo pela sociedade, eu acho que o filme vai ser muito importante nesse sentido.

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade.
Ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
Saiba mais