'Movimento Armorial 50 Anos' será aberta no CCBB

Com curadoria de Denise Mattar, exposição apresenta cerca de 140 obras de arte (a grande maioria nunca havia saído do Recife) em diversos formatos contando com artistas importantes para o Movimento Armorial, dentre eles o próprio Ariano Suassuna

Foto: Daniela Nader
Credit...Foto: Daniela Nader

O Centro Cultural Banco do Brasil inaugura para o público no dia 30 de março, a mostra ”Movimento Armorial 50 Anos”, uma exposição que reúne arte, encontros musicais e conversas sobre a arte Armorial. Este movimento foi criado e liderado pelo dramaturgo, professor, pintor e consagrado escritor Ariano Suassuna (1927-2014). O projeto é patrocinado pela BB Seguros e Banco do Brasil.

Com curadoria de Denise Mattar a exposição denominada apresenta cerca de 140 obras de arte (a grande maioria nunca havia saído do Recife) em diversos formatos contando com artistas importantes para o Movimento Armorial, dentre eles o próprio Ariano Suassuna, Francisco Brennand, Gilvan Samico, Aluísio Braga, entre muitos outros artistas que fizeram parte deste importante movimento artístico lançado no Recife, em 18 de outubro de 1970. “Fazer a curadoria da exposição comemorativa dos 50 anos do Armorial foi um desafio. São muitos artistas incríveis envolvidos, como Gilvan Samico, Francisco Brennand, Miguel dos Santos, Romero de Andrade Lima e o próprio Ariano 

 

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Animais Famintos e o Caçador Medroso, de Aluisio Braga (Foto: Daniela Nader)

 

Suassuna. Isso apenas falando das Artes Plásticas. Para dar conta da tarefa a exposição foi dividida em módulos que apresentam a Vida e Obra de Ariano, as fases do Movimento Armorial, e as Referências que eram a base de tudo: O cordel e as festas populares. A exposição tenta manter a magia, o humor, a alegria, as cores e a fantasia, que caracterizam a arte popular e o viés erudito do Armorial”, afirma Denise Mattar

De 31 de maio a 13 de junho, o público terá um contato ainda mais profundo com este Movimento. Período em que Espetáculos Musicais e Conversas sobre a Arte Armorial entram na programação da exposição, que fica ambientada no CCBB Rio de Janeiro até 27 de junho, mês em que Suassuna completaria 95 anos.

O curador musical é o reverenciado artista Antônio Madureira, um importante representante do Movimento desde o seu surgimento, tendo sido convidado por Ariano Suassuna para produzir os arranjos e conduzir a Orquestra Armorial. Faz, até hoje, a conexão da música Armorial pelo Brasil. Madureira leva ao público da Mostra músicos instrumentais de altíssima qualidade, nos Encontros Musicais.

 

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Matriz Xilogravura, de J.Borges (Foto: Daniela Nader)

 

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Pe.Cícero Romão, de Gilvan Samico (Foto: Daniela Nader)

 

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Tapete de Zelia Suassuna (Foto: Daniela Nader)

 

Para explorar a versatilidade do Movimento Armorial e a interlocução com as várias linguagens artísticas, o curador convidado é o poeta, professor, ficcionista e ensaísta Carlos Newton Júnior, um dos consultores da exposição e especialista na obra de Ariano Suassuna. "Conversas sobre a Arte Armorial" será um ciclo de encontros teóricos/temáticos que abordará a criação Armorial nos diversos gêneros: Literatura, Teatro, Música, Dança e Artes Visuais. “Ao promover uma retrospectiva dos 50 anos do Armorial, a exposição deixa claro que a poética do Movimento idealizado por Ariano Suassuna continua viva e fecunda, indicando uma direção que vem sendo seguida por artistas de mais de uma geração, cada um deles percorrendo o seu próprio caminho. Não há que se falar, portanto, em uniformização ou tolhimento à liberdade criadora, muito pelo contrário. A riqueza inesgotável da cultura popular, fonte maior da arte armorial, com seus elementos ibéricos, indígenas e africanos, induziu a criação de uma poética aberta, que nos liga, em última instância, tanto à tradição da cultura mediterrânica quanto às tradições da arte popular de países do terceiro mundo”, diz Carlos Newton Júnior.

A mostra ”Movimento Armorial 50 Anos” surgiu com um compromisso ousado: reapresentar ao público, sobretudo às novas gerações, a proposta singular e desafiadora de Ariano de criar, há pouco mais de cinco décadas, uma arte erudita a partir das mais autênticas e tradicionais manifestações artístico-culturais populares do Nordeste e de outras regiões do país. Concebida para marcar o cinquentenário do Movimento Armorial, comemorado em outubro de 2020, o projeto teve seu lançamento postergado devido à pandemia de Covid-19, e chega ao Rio de Janeiro em março após ter passado pelo CCBB Belo Horizonte. Após o Rio de Janeiro, a mostra segue para os CCBBs de São Paulo e de Brasília.

O projeto é da produtora Regina Rosa de Godoy, diretora da empresa R. Godoy Marketing e Cultura. O conceito da exposição foi traçado pela premiada curadora Denise Mattar, que fez um minucioso trabalho de pesquisa e garimpagem no vastíssimo acervo do Movimento para rememorar - com delicadeza, encanto e graça - a riqueza dos saberes e fazeres culturais impregnados na arte Armorial. A expografia e arquitetura ficaram sob a responsabilidade do designer Guilherme Isnard. A consultoria é do artista plástico Manuel Dantas Suassuna (filho de Ariano Suassuna) e do poeta, ficcionista, ensaísta e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Carlos Newton Júnior. Já a identidade visual é assinada por Ricardo Gouveia de Melo.

Do preto e branco das xilogravuras, passando pelo multicolorido dos ornamentos e fantasias das festas populares e pelas coreografias das danças. Pelos ritmos dos cantos e da música, de sons de rabeca, pífano e viola. Pela sonoridade dos versos dos cordéis e dos cantadores. Todos os caminhos conduzem a uma experiência única. Uma trilha cultural sem fronteiras, como a ideia plantada, lá atrás, por Ariano e que, agora, chega revigorada, pouco mais de 50 anos depois, à exposição.

 

A EXPOSIÇÃO

A exposição está organizada em núcleos, ambientada nas salas do segundo andar do CCBB Rio de Janeiro. Em cada um deles foi definido um tratamento expográfico exclusivo que traz à tona a diversidade, as tradições e as mais representativas raízes da cultura popular nordestina, tal qual idealizado por Ariano Suassuna. E, conforme explicitado pela produtora Regina Rosa de Godoy, de forma mágica, lúdica e plena de humor.

O texto de apresentação, assinado por Denise Mattar, é o primeiro passo da imersão do visitante no fascinante universo da arte Armorial. O núcleo Ariano Suassuna, Vida e Obra, traz uma completa cronologia ilustrada, livros e manuscritos do autor. e vídeos de suas famosas aulas-espetáculos. Um mergulho cultural, enfim, no fértil e amplo imaginário criativo do mestre. Nesta etapa, também ganha destaque o alfabeto sertanejo, criado por Ariano com base na pesquisa Ferros do Cariri, uma Heráldica Sertaneja.

No outro núcleo, denominado Armorial Fase Experimental, o visitante entrará em mais um ambiente repleto de cultura e tradições. Agora navegando pela música, Fernando Lopes da Paz dança e artes plásticas. A exposição resgata, neste momento, por exemplo, o trabalho da Orquestra e do Quinteto Armorial, grupo que surgiu com o Movimento, em 1970, e atuou até 1980, com grande sucesso, criando uma música de câmara erudita com influência popular.

O premiado Quinteto Armorial reuniu como integrantes figuras consagradas da música, como o maestro, violonista e compositor Antônio José Madureira e o multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O grupo gravou quatro LPs, discografia que a exposição revisita com capas de discos, além de fotos e instrumentos musicais, para aproximar, melodicamente, o público do universo armorial.

Na dança, toda a beleza e graciosidade do Balé Armorial do Nordeste, retratado em galeria de fotos. O visitante passa, a partir daí, a entrar mais intensamente no universo das artes plásticas do Armorial, por meio das obras dos artistas Aluísio Braga, Fernando Lopes da Paz, Miguel dos Santos e Lourdes Magalhães. Haverá, também, a Sala Especial Samico, um merecido destaque que dialoga, de acordo com os organizadores da mostra, com a coerência e permanência do trabalho do artista Gilvan Samico (1928-2013), conhecido por suas xilogravuras, alinhado, até 2013, aos princípios do Armorial.

Neste mesmo espaço apresenta-se também são apresentados os figurinos assinados pelo ceramista e artista plástico pernambucano Francisco Brennand (1927-2019) para o filme A Compadecida (1969). Os figurinos foram confeccionados especialmente para a exposição pela figurinista Flávia Rossette. A produção foi baseada na consagrada peça Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, que assinou o roteiro do filme e ganhou um remake em 2000, o que ajudou a massificar tornar conhecida a obra de Ariano Suassuna em todo o Brasil.

 

MARACATUS, REISADOS, ILUMIARAS, XILOGRAVURAS E CORDÉIS
No seu próximo núcleo, a exposição apresenta a Segunda Fase do Movimento Armorial trazendo à cena as iluminogravuras (termo criado por Ariano que é uma mistura de iluminura e gravura) de Ariano Suassuna, nas quais o escritor interage com o artista plástico. O autor produziu dois álbuns, cada um contendo dez pranchas: Sonetos com Mote Alheio (1980) e Sonetos de Albano Cervonegro (1985) que juntos formam uma autobiografia poética.

Também são apresentadas nesse módulo as litogravuras e cerâmicas de Zélia Suassuna, painéis fotográficos das Ilumiaras (palavra criada por Suassuna para determinar locais sagrados para ele) Acauhan, Jaúna, Zumbi, Coroada (residência de Suassuna) e Pedra do Reino. Complementa esse módulo o conjunto Armorial Hoje e Sempre, com obras de artistas como Manuel Dantas Suassuna e Romero de Andrade Lima. A dança mais uma vez é retratada com fotos, figurinos e projeções, através do Balé Grial, criado por Ariano e pela bailarina e coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo. Assim como produções de Cinema e TV, realizadas a partir das peças teatrais de Suassuna, como Farsa da Boa Preguiça, A Pedra do Reino, O Auto da Compadecida, Lunário Perpétuo.

Em outro módulo da mostra: Armorial - Referências, o visitante poderá contemplar a beleza das xilogravuras, assinadas, entre outros, pelos Mestres J.Borges, Noza e Dila, e também a Cidade de Cordel, criada especialmente para a exposição por Pablo Borges, filho de J.Borges. Trata-se de um espaço instagramável que vai permitir uma lúdica viagem pela cultura popular, com seus causos e singularidades. Finalizando a exposição há referências a folguedos populares, como o Maracatu, o Reisado e o Cavalo-Marinho, reunindo máscaras, trajes, estandartes e adereços.

 

COLECIONADORES

Entre os colecionadores particulares, artistas e instituições que irão disponibilizar obras à exposição Movimento Armorial 50 Anos estão a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), Oficina Brennand, Manuel Dantas Suassuna, Eduardo Suassuna, Romero de Andrade Lima, Gilvan Samico, Diogo Cantarelli, Maria Paula Costa Rêgo, J. Borges, Lourdinha Vasconcelos, entre outros.

 

SOBRE DENISE MATTAR

Denise Mattar é uma das mais premiadas curadoras da atualidade. Exerceu o cargo de diretora técnica de instituições culturais, como o Museu da Casa Brasileira (1985-1987), o Museu de Arte Moderna de São Paulo (1987-1989) e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1990-1997). Desde 1997, atua como curadora independente, tendo recebido ao longo dos anos quatro prêmios da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) e dois prêmios ABCA (Associação Brasileira de Críticos de Arte). Aceitou o convite de Regina para este desafio de retratar o Movimento Armorial, com seus animais fantásticos e toda sua pluralidade.

 

SOBRE REGINA GODOY

Idealizada pela diretora Regina Rosa de Godoy, com esta mostra marca 30 anos de atuacao em produção e 20 anos da parceria com a curadora Denise Mattar. Especializada na realização de eventos de especial importância para a arte brasileira, viabiliza ações criativas e transformadoras nas mais diversas linguagens, atendendo expressivas Instituições do segmento no país. Em parceria com o CCBB tem realizado ao longo de 15 anos eventos nas áreas de Dança, Música, Teatro, palestras sobre Filosofia e Arte e exposições de arte.

 

SERVIÇO: Abertura: 29 de março de 2022 / Exposição: de 30 de março a 27 de junho de 2022 / CCBB-RIO - 2º andar / Entrada gratuita / Rua Primeiro de Março, 66 - (21) 3808-2020.

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Figura com três animais, de.Fernando Lopes da Paz
Animais Famintos e o Caçador Medroso, de Aluisio Braga
Matriz Xilogravura, de J.Borges
Pe.Cícero Romão, de Gilvan Samico
Tapete de Zelia Suassuna


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