Crítica - ‘Duna’: uma longa introdução para algo grandioso que ainda virá

Cotação: três estrelas

Foto: divulgação
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‘É apenas o início’, diz Chani, personagem de Zendaya, na cena final de ‘Duna’, provável primeira parte desta nova adaptação - de livro difícil de filmar, publicado por Frank Herbert, nos anos 1960 - que já teve uma tentativa na tela grande, em 1984, com direção de David Lynch, que o renega. O filme de Lynch (que só existiu por conta do sucesso de ‘Star Wars’) pecou por tentar enfiar tudo em cerca de duas horas e meia, o que o novo tenta evitar, dividindo em dois.

Agora, o canadense Denis Villeneuve (que se preparou para encarar o universo sci-fi com os bons ‘A chegada’ e ‘Blade Runner 2049’) tenta fazer tudo dar certo com esta ambiciosa adaptação, que, na verdade, é apenas uma longa introdução para algo maior que ainda virá. Virá? Bem, o diretor espera que sim. Porque, se este filme não recuperar os custos, jamais veremos a sua segunda metade, que é o que realmente importa. Vai ser uma tremenda decepção. Mas a Warner anunciou que, se ele render bem no streaming (está sendo lançado nos EUA nos cinemas em simultâneo com o HBO Max), dará o sinal verde.

Quem for assistir sem saber de nada (a maioria das pessoas) vai pensar estar vendo um mix de ‘Game of Thrones’ e ‘Star Wars’ (sendo que ‘Duna’ veio antes destes e inspirou seus criadores) sem conclusão. Meio parecido com o que aconteceu recentemente com a versão live action para o anime ‘Alita’, produzido por James Cameron, que também termina sem acabar.

Ficaremos na torcida para que venha a conclusão deste, que é um filme espetacular. Daqueles que rendem melhor no cinema (as filmagens em câmeras iMax e o desenho de som são um destaque à parte). Só perde para o de Lynch na fotografia e produção visual. O dos 80s, produzido por Dino de Laurentiis, tinha um clima mais fantasioso (criaturas fascinantes, feitas por Carlo Rambaldi, de ‘E.T’, e quase sem CGI), retrô e tentava explicar a trama, os planetas e dinastias ao máximo para o espectador. O visual do ‘Duna’ atual é mais lavado, cor de areia, tem muito mais CGI. Mas, se o que importa é a história, ela está bem contada. Bem, pelo menos a metade dela. Irá cativar as plateias?

No elenco, nomes como Rebecca Ferguson (Lady Jessica), Timothée Chalament (o jovem Paul Atreides, ‘o escolhido’) e Oscar Isaac (Duque Leto Atreides), estão bem escalados, enquanto que Zendaya é quem realmente de destaca, embora apareça muito pouco, mais nos sonhos do protagonista. Alguns personagens tiveram seus sexos e etnias trocados, para dar mais diversidade, como os dias atuais pedem. O que não alterou em nada a trama. Mas o que os fãs do filme dos 80s vão sentir falta será do guerreiro Feyd Rautha (feito por Sting, cantor do Police), que roubava as cenas. Será que estará no próximo?

 

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