‘‘Ato’ é o afeto, a fuga’, diz Bárbara Paz sobre seu novo filme exibido em Veneza

novo filme da aclamada diretora, teve estreia mundial nessa sexta-feira (10), fora de competição, na mostra Orizzonti do Festival de Veneza, que encerra neste sábado (11) à noite

Foto: Marilla Sicilia / Primeiro Plano
Credit...Foto: Marilla Sicilia / Primeiro Plano

“Ato”, novo filme da aclamada diretora, teve estreia mundial nessa sexta-feira (10), fora de competição, na mostra Orizzonti do Festival de Veneza, que encerra neste sábado (11) à noite. Estrelado por Alessandra Maestrini e Eduardo Moreira, conta a história de um casal que passa por um momento distinto. Ele está em processo de travessia e ela é uma profissional do afeto.

“Em um mundo onde a solidão foi a maior protagonista, com palcos vazios e o medo constante da morte, “Ato” é o afeto, a fuga, o desejo fundamental da sobrevivência”, disse a diretora quando o filme foi selecionado.

A premiada atriz, produtora e diretora já havia roubado a cena na abertura do festival, no último dia 1/9, com um protesto impactante, potente e consequente frente à crise climática que vivemos na atualidade.

Bárbara entrou na cerimônia usando uma mochila de oxigênio com uma planta nas costas para denunciar a crise climática e o desmatamento. A mochila transparente com a planta era ligada a uma máscara que remetia às usadas em kits de respiração com cilindros.

A foto correu o mundo e foi postada em seu Instagram: “A Amazônia é o pulmão do mundo e a humanidade tem o direito de respirar”.

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Barbara em momento de proetsto sobre o tapete vermelho (Foto: reprodução/Instagram)

Em 2019, ela ganhou o Leão de Ouro do festival italiano na categoria Melhor Documentário, com “Babenco – Alguém Tem Que Ouvir o Coração e Dizer: Parou”. O filme também recebeu o mesmo prêmio no MIFF 2020 (Mubai, Índia).

Barbara já atuou em mais de 25 peças de uma ampla gama de dramaturgos, de Oscar Wilde a Tennessee Williams, além de ser uma estrela de televisão extremamente popular. Em 2013, o Ministério da Cultura atribuiu-lhe a conceituada Medalha do Cavalheiro, como reconhecimento pelo seu notável trabalho.

Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO BRASIL, Bárbara falou sobre o cerne de “Ato”, seu primeiro filme de ficção e como o momento atual influenciou sua realização.

JORNAL DO BRASIL: Depois do sucesso na direção de documentários, “Ato” é seu primeiro filme de ficção. Poderia falar um pouco mais sobre ele?

BÁRBARA PAZ: Primeiramente gostaria de agradecer de estar aqui em Veneza três anos depois de ter passado o meu primeiro filme. Agora estou com meu primeiro de ficção, “Ato”, que surgiu na onda da pandemia. Eu tinha vários projetos sobre solidão e, no ano passado, fui convidada no início da pandemia para fazer um projeto do Teatro em Movimento, da Tatyana Rubim, junto com um workshop intitulado clínica de obsessão, com o diretor e ator espanhol Matias Umpierrez. A partir daí, surgiu esse pequeno “Ato” sobre uma mulher que cobra para dar afeto, para dormir junto sem sexo. Ela não é uma prostituta, é para dar afeto às pessoas que estão sozinhas no mundo.

Houve então a influência deste momento de solidão e tantos medos que estamos vivendo?

Este momento de solidão e medo constante da morte é o tema do meu pequeno “Ato”. É o tema da humanidade que está vivendo essa pandemia.

Como se sente voltando ao Festival de Veneza, onde foi tão vitoriosa em 2019 com o Leão de melhor documentário para “Babenco...” e agora com “Ato” na prestigiada Orizzonti?

Sou muito grata de voltar ao Festival Internacional de Cinema de Veneza. É um dos principais festivais do mundo, e a primeira vez que estive aqui como diretora fui consagrada com o Leão de Ouro de Melhor Documentário. O festival abriu portas para o meu poema de amor, indicado ao Brasil pelo Oscar e finalista do prêmio Platino e prêmio Ariel, e agora é uma honra retornar com o meu primeiro filme de ficção.

Você é uma artista em múltiplas áreas – atriz, diretora, produtora... e com muito talento e sucesso em todas elas. Mas e o coração? Tem algum lado para o qual ele balance, bata mais forte?

Ele está em ebulição constante profissionalmente. A direção está me tomando quase que por completo. Sinto-me inteira. Quando algo autoral nasce, sinto que o sentido da existência se faz presente – atuar, dirigir, produzir tudo faz parte de mim. Criar para não morrer jamais”.

 



Bárbara Paz no tapete vermelho do Festival de Veneza
Barbara em momento de proetsto sobre o tapete vermelho