Mil e uma fases da obra de Geraldo de Barros

De quarta (11) a 7 de novembro, exposição no Itaú Cultural exibe mais de 400 itens da obra e vida do artista

Foto: Bob Wolfenson/1998
Credit...Foto: Bob Wolfenson/1998

Com curadoria de Lorenzo?Mammi?e Michel?Favre e apoio da família, Geraldo de Barros – imaginário, construção e memória ocupa os três andares do espaço expositivo do Itaú Cultural. A exposição percorre a sua carreira, entre as décadas de 1940 e 1990, e assinala os contextos e influências nos quais ela se desenvolveu na gravura, fotografia, pintura concretista e pop, mobiliário e arte gráfica. Rico material de arquivo permeia a mostra e oferece ampla visão da atuação do artista

De quarta (11) a 7 de novembro, a exposição exibe mais de 400 itens da obra e vida do artista. É a primeira vez que uma mostra apresenta o conjunto de seu acervo, sem recortes específicos. Do fabuloso à abstração formal, passando por métodos e princípios construtivos entre analogias e cruzamentos de fases e técnicas, ela acompanha a criação e produção do artista em cinco décadas de trabalho. Uma linha temporal desvenda o processo criativo e coerente de uma vida de trabalho, cruzando as obras e materiais do ateliê com o arquivo pessoal do artista, entre fotos de família, cartas, citações e objetos.

A curadoria compartilhada de Lorenzo Mammi e Michel Favre é complementar, mas separa-se nos diferentes andares do espaço expositivo. Para eles, no conjunto, Geraldo de Barros – imaginário, construção e memória, permite ao visitante fazer uma leitura imersiva sobre a vida e obra do artista, possibilitando compreender a coerência entre todas as fases em que atuou: gravura, fotografia, pintura concretista e pop, mobiliário, arte gráfica.

“Esta é uma exposição em que tentamos juntar a coerência das várias fases de Geraldo e mostrar como tem vida própria”, conta Mammi. “Vai das primeiras gravuras inspiradas em Paul Klee, as fotografias, as obras concretas e pop até as Sobras. Fios condutores vão mostrando que ele é mais complexo do que apenas um artista concreto ou um fotógrafo. Ele é completo, tem uma visão ampla e original”, conclui.

“A obra de Geraldo de Barros tem um vocabulário em que percebemos que com poucas letras, ele consegue contar muitas histórias”, observa Favre, que além de curador da mostra, cuida do rico arquivo do sogro, conservado em Genebra, na Suíça, ao lado da artista Fabiana de Barros, filha de Geraldo e sua mulher.

Nascido em Chavantes, no interior de São Paulo em 1923, muito jovem Geraldo de Barros mudou-se com a família para a capital, onde morreria em 1998. Começou a trabalhar aos 14 anos para sustentar os seus estudos e rapidamente seu faro se apurou para a pintura. A partir de 1945, passou a estudar desenho com Clóvis Graciano (1907-1988), Colette Pujol (1913-1999) e ? Yoshiya Takaoka (1909-1978). Nunca mais parou.

Geraldo tornou-se fotógrafo, pintor, gravador, artista gráfico, designer de móveis e desenhista. Criou coletivos, como o Grupo Rex e Ruptura. Expoente da fotografia experimental, integrou o Foto Clube Bandeirantes (FCCB), principal núcleo da fotografia moderna brasileira. A sua trajetória perpassa várias formas de expressão visual e reivindica o papel social da arte. 

Ainda, pode se ver imagens do artista, pertencentes ao acervo do Itaú Cultural e presentes na mostra on-line do Google Arts & Culture Fotografia Modernista Brasileira, realizada com um recorte desta coleção da instituição.