Festival de Cannes começa na próxima terça-feira com um cearense e um pernambucano

Karim Aïnouz estreia seu novo filme; Kleber Mendonça Filho está no júri oficial

Foto: CG Cinéma International
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O 74º Festival de Cannes tem início na próxima terça feira (6) cercado de segurança e medidas sanitárias para ser realizado no formato presencial.

Comemorando o que chamou de “volta triunfal” do público às salas reabertas na França, o diretor do festival Thierry Frémaux disse, no anúncio da programação, que Cannes 2021 será mais uma prova que “o cinema não morreu”.

“Annette”, de Leos Carax, abrirá o evento dando início a uma seleção abrangente, diversificada e repleta de autores de renome.

Carax retorna ao evento após ter apresentado em 2012 “Holy Motors”, que recebeu o prêmio da juventude do festival. Primeiro filme do cineasta em inglês, “Annette” – estrelado por Adam Driver e Marion Cotillard – relata a história de um ator de “stand up” e de uma cantora de fama internacional. O nascimento de sua primeira filha altera o rumo de suas vidas.

O encerramento será com “From Africa with Love”, de Nicolas Bedos, estrelado por Jean Dujardin e Pierre Niney. O filme será exibido na “Final Screening”, dia 17, no Grand Théâtre Lumière, após a cerimônia de premiação.

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Leo Carax, diretor de 'Annette' (Foto: Foto: David Bachar)

A mostra oficial, cujos participantes concorrem à Palma de Ouro, tem 24 títulos e é uma das mais atrativas dos últimos anos, com nomes consagrados do cinema autoral, como o italiano Nanni Moretti (Palma de Ouro em 2001 com “O Quarto do Filho”), que neste ano apresenta “Tre Piani”; o israelense Nadav Lapid (Urso de Ouro em Berlim / 2019 com “Synonymes”), que nesta edição participa com “Ahed’s Knee”; o tailandês Apichatpong Weerasethakul (Palma de Ouro em 2010 com “Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas”), que neste ano apresentará “Memoria”; e o iraniano Asghar Farhadi (Urso de Ouro em Berlim 2011 com “A Separação”), que tenta a Palma pela quarta vez com “A Hero”.

Além desses, estarão presentes nomes de destaque do cinema francês, como Jacques Audiard, com “Les Olympiades – Paris 13th District”; Bruno Dumont, com “France”, e François Ozon, que lançará “Tout s’est Bien Passé”, um drama sobre a eutanásia.

Na delegação dos Estados Unidos, um dos mais aguardados é o novo filme de Wes Anderson, “The French Dispacth”, uma ode ao jornalismo, que traz Bill Murray e Timothée Chalamet no elenco; e Sean Penn, que em 2016 apresentou em Cannes o seu “A Última Fronteira”, volta à competição com “Flag Day”, estrelado por Josh Brolin.

Merece destaque ainda o holandês Paul Verhoeven, de “Instinto Selvagem”, que mostrará “Benedetta”, sobre uma freira (Virginie Efira) vivendo uma relação lésbica no século XVII; e Sean Baker, nome importante do cinema independente americano que compete pela primeira vez à Palma de Ouro, com “Red Rocket”.

Fora de competição, serão mostrados “De son Vivant”, de Emmanuelle Bercot, protagonizado por Catherine Deneuve; e o aguardado thriller “Stillwater”, dirigido por Tom McCarthy e estrelado por Matt Damon.

O júri - presidido pelo cineasta Spike Lee - é constituído pela diretora franco-senegalesa Mati Diop, a cantora e compositora francesa Mylène Farmer, a atriz e diretora americana Maggie Gyllenhaal, a diretora e roteirista austríaca Jessica Hausner, a atriz e diretora francesa Mélanie Laurent; os atores Song Kang-ho, da Coreia do Sul, e o francês Tahar Rahim, e o diretor, roteirista e produtor pernambucano Kleber Mendonça Filho, autor de “Bacurau”, que há dois anos ganhou o Prêmio do Júri no evento francês.

Brasileiros

Além de Mendonça Filho, o Brasil tem outras participações importantes em Cannes.
O cineasta cearense Karim Aïnouz (que dois anos atrás ganhou o prêmio principal da prestigiada paralela Un Certain Regard com “A Vida Invisível”) estreará seu novo filme “O Marinheiro das Montanhas” na mostra “Sessões Especiais”.

“Medusa”, de Anita Rocha da Silveira, estará na Quinzena dos Realizadores, tradicional paralela de Cannes. E a RT Features, de Rodrigo Teixeira, é uma das produtoras de “Bergman Island”, dirigido pela francesa Mia Hansen-Love, que segue um casal de cineastas refugiado numa ilha para escrever roteiros; e também de “Murina, da croata Antoneta Alamat Kusijanovic.

A edição deste ano criou ainda uma mostra inédita de estreias para cineastas que já tenham participado do festival. Constituída de 10 títulos, os destaques são o francês Mathieu Amalric (“Serre-Moi Fort”), a inglêsa Andrea Arnold (“Cow”), a francesa Charlotte Gainsbourg (“Jane par Charlotte”), o sul-coreano Hong Sang-Soo (“In Front of Your Face”) e o americano Oliver Stone (“JFK Revisited: Through the Looking Glass”).

A Palma Honorária será entregue a Jodie Foster, por sua carreira como atriz e diretora e por seu conhecido ativismo.

Os 24 filmes da Mostra Oficial

Annette, de Leos Carax (França)
A Feleségem Története (The Story of My Wife), de Ildikó Enyedi (Hungria)
Benedetta, de Paul Verhoeven (Holanda)
Bergman Island, de Mia Hansen-Love (França)
Drive My Car, de Ryusuke Hamaguchi (Japão)
Flag Day, de Sean Penn (EUA)
Ha’berech (Ahed’s Knee), de Nadav Lapid (Israel)
Casablanca Beats, de Nabil Ayouch (Marrocos)
Hytti Nro 6 (Compartment nº 6), de Juho Kuosmanen (Finlândia)
The Worst Person in the World, de Joachim Trier (Noruega)
La Fracture, de Catherine Corsini (França)
The Restless, de Joachim Lafosse (Bélgica)
Paris 13th District, de Jacques Audiard (França)
Lingui, de Mahamat-Salesh Haroun (Chad)
Memoria, de Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)
Nitram, de Justin Kurzel (Austrália)
France, de Bruno Dumont (França)
Petrov’s Flu, de Kirill Serebrennikov (Rússia)
Red Rocket, de Sean Baker (EUA)
The French Dispatch, de Wes Anderson (EUA)
Titane, de Julia Ducournau (França)
Tre Piani, de Nanni Moretti (Itália)
Tout s’est Bien Passé, de François Ozon (França)
A Heros, de Asghar Farhadi (Irã)



Marion Cotillard, protagonista de 'Annette', filme que estará na mostra oficial
Leo Carax, diretor de 'Annette'