Diretor fala do seu filme realizado no contexto da Olimpíada

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Foto: André Brandão e Ricardo Carioba/divulgação
Credit...Foto: André Brandão e Ricardo Carioba/divulgação

“4 x 100 – Correndo por um Sonho”, de Tomas Portella – produzido pela Gullane e com estreita ligação com a próxima Olimpíada de Tóquio em julho – estreia nesta quinta (24), no circuito brasileiro.

Como sabemos, os jogos mundiais estavam programados para 2020, mas foram adiados por causa da pandemia. O filme começa com uma mensagem explicando que ele foi produzido em 2019, com lançamento previsto em 2020, quando seriam os Jogos Olímpicos que precisaram ser cancelados.

A história tem início durante a Olimpíada do Rio, em 2016, quando Adriana, Maria Lúcia, Rita e Jaciara são as favoritas na grande final do revezamento 4 x 100 feminino, mas o erro fatal de uma delas leva à desclassificação do grupo e derruba os sonhos da Medalha de Ouro.

Quatro anos se passam e a mágoa daquela final ainda permanece, mas os preparativos para os novos jogos precisam começar, e o técnico Victor (Augusto Madeira) se prepara para elencar a representação do Brasil. Retomar os treinos não será fácil, bem como superar a relação abalada entre as atletas, mas o mais importante será conquistar a tão sonhada medalha.

Adriana (Thalita Carauta), Maria Lúcia (Fernanda de Freitas), Rita (Roberta Alonso), Jaciara (Cintia Rosa) e Bia (Priscila Steinman) se preparam para isso, resgatando o sentimento de equipe para levar o atletismo feminino do Brasil ao pódio.

O roteiro, centrado na protagonista Adriana, aborda um universo ainda pouco conhecido do grande público, mostrando os bastidores da preparação para as grandes competições com uma realidade às vezes dura, dificuldades de patrocínio e muitos desafios.

Em entrevista exclusiva ao JORNAL DO BRASIL, o diretor falou sobre o filme, sua diversificada carreira e as mudanças para transmissões por streaming.

Qual a principal motivação para ter realizado “4 x 100 – Correndo por um Sonho”?

“A maior motivação foi o desejo de fazer um filme feminino, de superação, de esporte, um filme de torcida. Gosto muito do lado emocional e como ele leva os espectadores para algo maior. Desde o início até a corrida final, esse lado sempre me emocionou. Acho que foi ai que a motivação veio.”

Sua carreira é bastante diversificada – romance, esporte, suspense, ação... E seus filmes têm sempre uma grande identificação com os espectadores. É difícil encontrar esse tom?

Sou formado em Física, então cinema entrou na minha vida mais tarde; nunca tinha sido um sonho fazer cinema. Minha formação vem do cinema de público, que era o que eu assistia. Quando comecei a dirigir foi que me aprofundei nos grandes clássicos do cinema. Assim, tem um pouco da minha origem essa coisa de fazer filme que conversa com o público. Buscar o tom para falar com o público é principalmente tentar buscar histórias e uma forma de contar algo mais universal. E não se preocupar tanto com o que você acha, mas entender que o filme está acima de você. É preciso entender quem é o público. Meu norte é tentar encontrar o tom dentro das linguagens do gênero: fiz um suspense, ai sim, tenho uma direção mais virtuosa; filme de ação é meio do caminho: tem um lado simples de storytelling, mas uma virtuose nas cenas de ação. Filmes de esporte, como é o caso deste, tem que entender a questão da linguagem e ter um olhar diferente do que já foi feito antes.

Com o surgimento de várias plataformas, o que mais influi na produção para streaming? Principalmente no que se refere à necessidade de aprofundar no nacional / regional, mas buscar a também necessária universalidade.

Acho que, na produção para streaming, o mais importante sem dúvida é encontrar a regionalidade ao máximo para conseguir ser universal e também aprofundar nos gêneros. Acho que uma coisa importante no streaming é conseguir explicar para o algoritmo qual é o seu filme; é a única forma do filme encontrar o seu público. É importante ter claro qual é o filme e do que se trata. Filmes de gênero funcionam muito bem porque no fundo é isso, você quer encontrar seu público. Se ele não tiver um foco mais claro, é mais difícil.