Filme sobre banda lendária é destaque em Tribeca

"A-ha the Movie" era um desejo antigo dos diretores que tentaram algumas vezes fazer um filme com o grupo

Foto: Warner
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“A-ha the Movie”, de Thomas Robsahm e Aslaug Holm, estreou nesse domingo (13) na 20ª edição do Festival de Tribeca, que está sendo realizado no formato híbrido, com eventos virtuais e presenciais em locais ao ar livre nos distritos de Nova York.

O filme é sobre a banda norueguesa a-ha, formada pelo vocalista Morten Harket, o guitarrista Pål Waaktaar e o tecladista Magne Furuholmen.

Após criar o grupo em 1982, eles saíram da Noruega rumo a Londres com o objetivo de fazer carreira na área. Em 1985, a banda alcançou fama mundial com o sucesso de “Take on Me”. Estourando em todas as paradas, tornou realidade o sonho dos três amigos de conquistar o mundo através da música. Até hoje a banda continua se apresentando em arenas lotadas.

“A-ha the Movie”, por sua vez, era um desejo antigo dos diretores que tentaram algumas vezes fazer um filme com o grupo.

Finalizado agora, o documentário conta a história da banda, sem deixar de expor os laços e conflitos de personalidade entre o trio. Conflitos que resultaram em algumas turbulências. Após os integrantes se separarem e voltarem a ficar juntos, a banda estava prestes a iniciar uma nova turnê em 2016, quando finalmente o projeto do documentário começou a decolar.

Depois da sessão e, numa descontraída conversa, os diretores falaram sobre a origem do filme e os pontos que procuraram destacar para retratar a banda.

Robsahm disse que começou a pensar em fazer o documentário quando assistiu “Let it Be” (de Michael Lindsay-Hogg), que segue os Beatles durante a gravação de um novo álbum.

“Com isso em mente, em 2009, pela primeira vez, perguntei aos membros da banda se poderia fazer um filme sobre eles. Na época, eles estavam se separando e me disseram que nunca mais iriam voltar a tocar juntos, o que felizmente não aconteceu. Quando eles voltaram a se apresentar como um grupo, voltei ao assunto e recebi o sinal positivo. Convidei então Aslaug para me acompanhar nessa empreitada, uma pessoa da minha absoluta confiança.

Havia, no entanto, a preocupação dos diretores de conseguir material ainda não mostrado para os fãs da banda.

“Conseguimos muita coisa inédita com a família deles e, no processo de montagem, descobrimos que Furuholmen tinha material gravado com uma câmera comprada na época. Era exatamente o que precisávamos”, contou Robsahm.

Na construção do filme, é também destacado que os integrantes da banda, assim como os diretores, são noruegueses. Sobre o fato, o diretor acrescenta que todos eram amigos de infância, mas o que os unia era a música, acima de qualquer amizade.

Outro ponto forte do documentário é mostrar uma banda para além de “Take on Me”, aclamado como seu principal sucesso.

“Para nós era importante apresentar ao público um filme com a música espetacular da banda, que é fabulosa e muito mais do que apenas o hit ‘Take on Me’”, enfatizou Robsahm, complementado por Holm.

“Quisemos mostrar que os integrantes da banda eram muito criativos e tinham uma expectativa alta para a música. Nas conversas que tive com Harket (vocalista), sempre ficou visível que ele tinha consciência da potência de sua voz e sua ambição em relação à música”, ressaltou o diretor, lembrando outro ponto que o documentário destaca: a importância de – apesar de terem se separado algumas vezes e tentarem carreira solo – voltarem a ser um grupo.

“Embora se trate de três indivíduos, eles precisaram ser um coletivo para fazer boa música”, concluiu Holm.

De fato, esse é certamente um dos fatores que tornou a banda um sucesso mundial. No final da década de 1980 – e início da seguinte – ela foi muito popular na América do Sul, inclusive no Brasil, quando se apresentou no Rock in Rio II, que ocorreu em 1991.

Em última análise, o documentário dos diretores noruegueses é muito bom e, além de trazer à tona a trajetória da banda nas últimas décadas, registra momentos importantes de sua história.