‘E a Nave Vai’, novo trabalho do Teatro Inominável, estreia nesta quarta

O filme com dramaturgia e direção de Diogo Liberano reflete sobre a falta de controle do ser humano quando se vê diante dos afetos

Felipe Quintelas/divulgação
Credit...Felipe Quintelas/divulgação

Com mais de 10 anos de carreira, a Companhia Teatro Inominável estreia nesta quarta (26) no audiovisual com o filme “E a Nave Vai”. A obra, com dramaturgia e direção de Diogo Liberano, apresenta o encontro entre Mocinho e Gatão, que se conhecem e querem estar juntos, mas não pelos mesmos motivos. A curta temporada vai até sábado (29), sempre às 19h, no canal do youtube do grupo.

A primeira encenação teatral do projeto foi na Itália, em 2019, se apresentando em diversas cidades, seguindo para a Argentina. No Brasil, a temporada carioca, que entraria em cartaz este ano, foi suspensa por conta da pandemia. Devido a esta impossibilidade, o grupo optou por realizar uma versão audiovisual.

A trama é inspirada numa história vivida por Liberano, porém, remodelada poeticamente, visando a abrir aos espectadores indagações sobre como podemos – ou não – lidar com afetos tão fortes como, por exemplo, aqueles provocados por um apaixonamento. Sim, a palavra é essa mesmo. De acordo com Freud, o apaixonamento reflete um estado psíquico anormal, que acarreta uma possível distorção da realidade. O filósofo Baruch Spinoza chama de servidão essa impotência humana para regular e refrear os afetos. Até que ponto é possível domar um afeto e tomar a melhor decisão para si mesmo? São esses questionamentos que acompanham a história.

Centrada no problema que se estabelece entre Mocinho (Gunnar Borges), um homem com trinta e poucos anos com medo do futuro, e Gatão (Márcio Machado), um homem de quarenta e poucos anos com medo do passado, a história conta ainda com a Nave (Andrêas Gatto), um automóvel com espaço interior para apenas duas pessoas que, muitas vezes, parece enxergar aquilo que os outros dois não percebem. O desejo é apresentar um problema para que, a partir dele, o público faça suas próprias conexões e indague aquilo que lhe parecer importante.

“Queremos que as pessoas se identifiquem, que pensem nas maneiras como os seres humanos se relacionam uns com os outros, e como nos machucamos. A gente confia na sensibilidade do espectador para completar uma história que intencionalmente não se mostra em sua completude.”, comenta Liberano.

Companhia teatral criada em 2008 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, atualmente, composta por Andrêas Gatto, Clarissa Menezes, Diogo Liberano, Gunnar Borges, Laura Nielsen, Márcio Machado, Natássia Vello e Thaís Barros, o Teatro Inominável tem em seu histórico, além de três edições da Mostra Hífen (2012, 2014 e 2016), espetáculos e performances como “Sinfonia Sonho” (2011) e “O Narrador” (2014), indicados aos prêmios Shell, Cesgranrio e Questão da Crítica no Rio de Janeiro.

Apostando agora numa linguagem nova, que mescla teatro e cinema, e que resultou de uma parceria entre diretor, atores e os outros integrantes da equipe criativa, o dramaturgo e diretor acredita que o mais importante foi pensar em como a linguagem audiovisual recebe a poeticidade do jogo teatral, e não apenas mostrar o que é contado.

“Apesar de ser um diretor de teatro, o pensamento e o estudo sobre cinema, sempre fizeram parte da minha trajetória e das minhas pesquisas. Então, agora tive oportunidade de explorar caminhos que já tinha vontade e construir um filme que apresenta outra intensidade no trabalho de atuação e um tempo diferente do teatro”, conclui Liberano.

O projeto tem patrocínio do Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir Blanc.

Serviço: “E a Nave Vai” (Cia. Teatro Inominável) / Temporada: 26 a 29 de Maio, quarta a sábado, às 19h. / * No dia 29, após a exibição, haverá um bate-papo com os integrantes da Cia. e um psicanalista convidado / Ingressos: gratuitos / Onde? Canal do Teatro Inominável no YouTube Tempo de duração: 45 minutos / Classificação etária: 14 anos.