'Nomadland' é o grande vencedor do Oscar 2021

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A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou neste domingo (25) os premiados com o Oscar de sua 93ª edição, em um ano difícil e com muitos desafios para o cinema e a humanidade.

Os organizadores decidiram pela cerimônia presencial, mas dividindo a festa entre o clássico Dolby Theater e a Union Station, estação ferroviária no centro de Los Angeles. O teatro foi usado para apresentações musicais e a Estação foi transformada em um palco com capacidade para 170 convidados espalhados em pequenas mesas.

Regina King começou o anúncio dos prêmios deixando claro que haviam sido tomados todos os cuidados para uma noite de gala em tempos pandemia – com os presentes testados e orientados a manter distância.

“Nomadland” sai consagrado desta edição. Levou a estatueta de melhor filme, de direção para Chloé Zhao e de atriz para Frances McDormand.

A chinesa Chloé Zhao se tornou a segunda mulher na história da Academia vitoriosa na categoria ao lado de Kathryn Bigelow, por “Guerra ao Terror”, em 2009.

McDormand recebeu seu terceiro Oscar vencendo uma disputa difícil com Carey Mulligan (“Bela Vingança”), Viola Davis (“A Voz Suprema do Blues”, Andra Day (The United States vs. Billie Holiday”) e Vanessa Kirby (“Pieces of a Woman).

O Oscar de melhor ator foi para Anthony Hopkins, de “Meu Pai”, que se tornou o ator mais velho a vencer, aos 83 anos. Um dos também cotados era Chadwick Boseman, que parecia destinado a receber um Oscar póstumo por “A Voz Suprema do Blues”. O que seria também uma homenagem ao astro de “Pantera Negra”, que morreu de câncer o ano passado.

Na categoria de ator coadjuvante, Daniel Kaluuya confirmou o favoritismo, levando o prêmio pela atuação em “Judas e o Messias Negro”.

Youn Yuh-jung, de “Minari” ganhou o Oscar de atriz coadjuvante. Foi a primeira sul-coreana e a segunda atriz de ascendência asiática a levar o prêmio. Antes essa premiação havia sido dada apenas à nipo-americana Miyoshi Umeki em 1958. Um nome cotado era Gleen Close, indicada pela oitava vez por “Era uma Vez um Sonho”, e teve mais uma nomeação frustrada.

Para o prêmio de roteiro, “Bela Vingança”, escrito e também dirigido por Emerald Fennell, ficou com a estatueta entre os originais. O roteiro adaptado vencedor foi o de “Meu Pai”, de Florian Zeller.

O melhor filme internacional premiou o dinamarquês “Druk – Mais uma Rodada”, de Thomas Vinterberg, que era um dos favoritos. O cineasta que também estava indicado em direção, dedicou o prêmio à sua filha morta num acidente.

Melhor animação foi para “Soul”, que era o grande favorito e primeiro filme da Pixar com um protagonista negro. A animação também ganhou o troféu de trilha sonora. Canção original foi para “Fight for You” (R&B H.E.R.) de “Judas e o Messias Negro”.


No caminho da diversidade

Já há algum tempo, a Academia vinha sendo criticada sobre a ausência de atores e diretores negros entre os finalistas. Com a pressão, ela começou a realizar algumas mudanças ainda de forma um tanto tímida. Nesta edição, embora não tenha sido tão forte na premiação, nas indicações houve muitos avanços na questão da diversidade em vários pilares: de gênero, longevidade e principalmente a racial.

Esta última incluiu os atores negros que estavam indicados: Viola Davis e Chadwick Boseman (A voz Suprema do Blues) e Daniel Kaluuya (Judas e o Messias Negro) – que foi o premiado.

Foi também o ano das mulheres em indicações importantes: Chloé Zhao (“Nomadland) e Emerald Fennel (“Bela Vingança”), no fato inédito de duas mulheres concorrendo à melhor direção no mesmo ano. Outro exemplo se deu nas categorias de roteiro em que ambas foram indicadas: Chloé em roteiro adaptado e Emerald por original. Frances McDormand, por sua vez, além da indicação para melhor atriz também integra a lista de produtores de “Nomadland”.

De qualquer forma, foi um evento de celebração da diversidade e um aceno para a possibilidade de mudanças. Várias menções foram feitas ao assassinato de George Floyd.

Esta 93ª edição do prêmio também vai ficar na história pelo recorde de representatividade e o reconhecimento de produções mais independentes, medida que foi tomada em função da pandemia. O que também levou à aceitação de Streamings como a Netflix com 35 indicações por filmes como “Mank” e “A Voz suprema do Blues”.

VENCEDORES

Melhor filme

“Nomadland”

“Os 7 de Chicago”

“Minari”

“Bela Vingança”

“O Som do Silêncio”

“Meu Pai”

“Judas e o Messias Negro”

“Mank”

Melhor direção

Chloé Zhao, “Nomadland”

Lee Isaac Chung, “Minari”

Emerald Fennell, “Bela Vingança”

David Fincher, “Mank”

Thomas Vinterberg, "Druk - Mais uma Rodada"

Melhor ator

Chadwick Boseman, “A Voz Suprema do Blues”

Anthony Hopkins, “Meu Pai”

Riz Ahmed, “O Som do Silêncio”

Steven Yeun, “Minari”

Gary Oldman, “Mank”

Melhor atriz

Carey Mulligan, “Bela Vingança”

Frances McDormand, “Nomadland”

Andra Day, “The United States vs. Billie Holiday”

Viola Davis, “A Voz Suprema do Blues”

Vanessa Kirby, “Pieces of a Woman”

Melhor ator coadjuvante

Daniel Kaluuya, “Judas e o Messias Negro”

Leslie Odom Jr., “Uma Noite em Miami”

Sacha Baron Cohen, “Os 7 de Chicago”

Lakeith Stanfield, “Judas e o Messias Negro”

Paul Raci, “O Som do Silêncio”

Melhor atriz coadjuvante

Youn Yuh-jung, “Minari”

Olivia Colman, “Meu Pai”

Glenn Close, “Era uma Vez um Sonho”

Maria Bakalova, “Borat: Fita de Cinema Seguinte”

Amanda Seyfried, "Mank"

Melhor roteiro adaptado

“Nomadland”

“Uma Noite em Miami”

“Meu Pai”

“Borat: Fita de Cinema Seguinte”

“O Tigre Branco"

Melhor roteiro original

“Os 7 de Chicago”

“Bela Vingança”

“Minari”

“O Som do Silêncio”

“Judas e o Messias Negro"

Melhor figurino

“A Voz Suprema do Blues"

“Mulan”

“Emma”

“Mank”

"Pinóquio"

Melhor trilha sonora

“Relatos do Mundo”

“Soul”

“Mank”

"Destacamento Blood"

"Minari"

Melhor curta-metragem

“Dois Estranhos”

“The Letter Room”

“Feeling Through”

“White Eye”

"The Present"

Melhor curta-metragem em animação

“Se Algo Acontecer... Te Amo”

“Genius Loci”

"Yes-People"

“Opera”

“Toca"

Melhor som

“O Som do Silêncio”

“Relatos do Mundo”

"Soul"

“Mank”

"Greyhound"

Melhor animação

“Soul”

“Wolfwalkers”

“Dois Irmãos”

“A Caminho da Lua”

“Shaun, o Carneiro: A Fazenda Contra-Ataca”

Melhor fotografia

“Nomadland”

“Mank”

“Relatos do Mundo”

“Os 7 de Chicago”

"Judas e o Messias Negro"

Melhor documentário

“Time”

“Crip Camp: Revolução pela Inclusão”

“Professor Polvo”

“Collective”

"The Mole Agent"

Melhor documentário em curta-metragem

“A Concerto Is a Conversation”

“Uma Canção para Latasha”

"Colette"

"Do Not Split"

"Hunger Ward"

Melhor montagem

“O Som do Silêncio”

“Os 7 de Chicago”

"Meu Pai"

"Nomadland"

"Bela Vingança"

Melhor filme internacional

“Druk - Mais uma Rodada” (Dinamarca)

"Better Days" (Hong Kong)

“Quo Vadis, Aida?” (Bósnia e Herzegovina)

“O Homem que Vendeu Sua Pele” (Tunísia)

“Collective” (Romênia)

Melhor cabelo e maquiagem

“A Voz Suprema do Blues”

“Pinóquio"

"Mank"

“Era uma Vez um Sonho”

"Emma"

Melhor canção original

“Speak Now”, de “Uma Noite em Miami”

“Io Si (Seen)”, de “Rosa e Momo”

“Fight for You”, de “Judas e o Messias Negro”

"Hear My Voice", de "Os 7 de Chicago"

"Husavik", de "Festival Eurovision da Canção: A Saga de Sigrit e Lars"

Melhor direção de arte

“Mank”

“Relatos do Mundo”

“Tenet”

"Meu Pai"

"A Voz Suprema do Blues"

Melhores efeitos especiais

“Tenet”

“O Céu da Meia-Noite”

"Love and Monsters"

"Mulan"

"O Grande Ivan"