É Tudo Verdade/2021 anuncia vencedores

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Divulgação/É Tudo Verdade
Credit...Divulgação/É Tudo Verdade

O Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade divulgou nesse domingo (18) os premiados de sua 26ª edição, que aconteceu totalmente on-line.

Amir Labaki, diretor do festival, iniciou a cerimônia agradecendo a todos que ajudaram na realização do evento, destacando que foi uma edição histórica e que atraiu um público maior que o do ano passado. “Em um festival realizado em uma época de tanta dor, é um alento ao menos ver se ampliar o interesse de tantos pelo cinema documentário”, ressaltou.

O prêmio de melhor documentário da competição brasileira de longas-metragens foi para “Os Arrependidos”, de Ricardo Calil e Armando Antenore, sobre presos políticos obrigados pela ditadura a mostrar arrependimento público num gesto de elogio ao regime.

Macaque in the trees
O diretor Ricardo Calil (Foto: Divulgação)
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O diretor Armando Antenore (Foto: Divulgação)

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Nelson Chamisa – candidato da oposição (Foto: Divulgação)

“Presidente”, de Camilla Nielsson (Dinamarca), foi o melhor documentário da competição internacional. O longa-metragem é sobre a eleição presidencial de 2018 no Zimbábue, numa disputa entre o candidato do governo E. D. Mnangagwa e o da oposição Nelson Chamisa, da Aliança do Movimento para a Mudança Democrática (MDC). A diretora dinamarquesa foi ao Zimbábue para cobrir essa eleição.

Na competição brasileira de curtas-metragens, o vencedor foi Yaõkwa: Imagem e Memória, de Rita Carelli e Vincent Carelli, que aborda a preservação da cultura e das tradições ancestrais indígenas através do audiovisual. O filme também ganhou o Prêmio Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-metragem.

Na competitiva internacional de curtas-metragens, o prêmio foi conquistado por “A Montanha Lembra”, de Delfina Carlota Vazquez, uma coprodução entre Argentina e México.

O Prêmio EDT (Associação de Profissionais de Edição Audiovisual) – melhor montagem foi para o longa-metragem “Máquina do Desejo – 60 anos de Teatro Oficina”, de Lucas Weglinski e Joaquim Castro, e para o curta-Metragem: “Ser Feliz no Vão”, de Lucas H. Rossi dos Santos.


Uma edição para ficar na história

“Se você quiser saber como está o mundo, assista aos documentários”. A frase vem sendo repetida por Robert Redford, desde que criou o Festival Independente de Sundance, em 1985, um evento que aposta na força do gênero.

É Tudo Verdade segue essa mesma máxima e, apesar de todas as limitações impostas pela pandemia, realizou neste ano uma edição que já pode ser considerada uma das melhores, desde que o festival foi criado pelo crítico Amir Labaki em 1996.

Quem acompanhou o ETV teve um retrato primoroso do mundo atual em vários segmentos: político, cultural, social, ambiental, além de oportunos resgates e homenagens em várias biografias.

Títulos com viés político foram muitos. Além dos vencedores dos principais prêmios do Festival – “Os Arrependidos” e “Presidente” –, vale destacar: “Alvorada”, de Anna Muylaert e Lô Politi, sobre os últimos dias da presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada; “MLK/FBI”, de Sam Pollard, sobre a intimidação do FBI a Martin Luther King; e “Gorbachev.Céu”, de Vitaly Mansky, sobre as glórias e infortúnios do ex-líder soviético, que aos 90 anos vive solitário no subúrbio de Moscou.

A programação também retratou fatos musicais memoráveis como “Dois Tempos”, de Pablo Francischelli, sobre o reencontro do violonista argentino Luico Yanea com o brasileiro Yamandu Costa; “Paulo César Pinheiro – Letra e Alma”, produção de Andrea Prates e Cleisson Vidal, que relembra grandes nomes da MPB; e “A Solidão do Cantor”, de Chris Marker, que acompanha Yves Montand quando se prepara para um show em Paris em 1974.

Nas biografias, prestou muitas homenagens, entre outras: ao polonês Zbigniew Ziembinski, em “Zimba”, de Joel Pizzini, um retrato do genial criador do teatro moderno que revolucionou as artes cênicas no Brasil; e ”Uma Utopia Militante”, de Ugo Giorgetti, sobre o economista austríaco Paul Singer (1932-2018), que se tornou um dos mais respeitados intelectuais brasileiros.

Na questão ambiental – e também com viés político –, vale destacar o filme de encerramento “A Última Floresta”, de Luiz Bolognesi, sobre a defesa dos Yanomamis, e “Edna”, de Eryk Rocha, poético retrato da personagem título que vive à beira da rodovia Transbrasiliana, sempre à espera de uma guerra que não acabou.

Em resumo, além de manter o título de ser um dos festivais de documentários mais importantes do mundo, o ETV/ 2021 deu uma aula ao mostrar como – mesmo em um momento com tantas dificuldades – foi possível colocar uma brilhante edição no ar. E com o oportuno acréscimo de ter sido oferecida ao público de forma totalmente gratuita.



O prêmio de melhor documentário da competição brasileira de longas-metragens foi para Os Arrependidos, de Ricardo Calil e Armando Antenore
O diretor Ricardo Calil
O diretor Armando Antenore
Nelson Chamisa – candidato da oposição


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