'Crítica em Movimento' fala sobre teatro, circo e dança antes e depois da pandemia

A quarta edição da programação voltada ao diálogo entre público, criadores e críticos traz conversas virtuais sobre a recepção da crítica na vida contemporânea e exibe espetáculos do Brasil e do Chile feitos ou adaptados para o virtual

Foto: Brendo Trolesi - divulgação
Credit...Foto: Brendo Trolesi - divulgação

O Itaú Cultural realiza de 1 a 4 de abril (quinta-feira a domingo) a quarta edição do "Crítica em Movimento", programação voltada à reflexão sobre a produção nas artes cênicas. Neste ano, aproveita as transformações ocasionadas pelo período de isolamento para revisitar os debates feitos nas edições anteriores e para refletir sobre como é a crítica hoje. Esse paralelo já acontece no primeiro dia, com o lançamento de uma série de cinco podcasts e oito cadernos digitais sobre temáticas abordadas em outros anos, que entra no ar no site da instituição, www.itaucultural.org.br, e com um debate ao vivo sobre a crítica no conturbado mundo atual.

Nos dias seguintes, duas produções do Brasil e uma chileno-brasileira revezam-se no Palco Virtual, levando ao público o fazer cênico, em teatro de sombras, vídeo teatro e circo contemporâneo, sempre seguidos de bate-papos (segue anexada toda a programação). As apresentações e a mesa acontecem todos os dias às 20h, pela plataforma Zoom, seguidas por conversas dos elencos e com críticos convidados. Os ingressos podem ser reservados via Sympla. As atividades têm tradução simultânea e legenda em espanhol. Mais informações no próprio site da organização.

Esta edição tem início no dia 1 de abril (quinta-feira), com a mesa Considerações sobre a recepção crítica na vida contemporânea. Dentro da proposta de lançar um olhar ampliado sobre o tema, o jornalista e crítico Valmir Santos, co-curador do Crítica em Movimento, conversa com convidados de diferentes gerações e campos de atuação nas artes. São eles Alcir Pécora, professor e crítico literário da Universidade Estadual de Campinas, e Clarissa Diniz, professora e curadora da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro. Eles compartilham olhares sobre suas práticas no teatro, na dança e no circo, favorecendo o público a conhecer mais sobre o ofício dos críticos.

Em cena

A programação segue com três dias de apresentações. No dia 2 (sexta-feira), o Palco Virtual abre o espaço para Épico, da Cia Teatral Tercer Abstracto, trupe com artistas do Chile e do Brasil. Este teatro de sombras fala sobre divisão de classes, comparando uma peste mortífera que atacou a Europa em 1348 com a pandemia vivida durante todo 2020. Entre as provocações do espetáculo, estão a forma como lidaram no passado com essa situação e quais foram as consequências sociais e o que mudou nas relações de poder da sociedade feudal. O público é convidado, inclusive de forma interativa, a viajar pela história e se perguntar o que se pode aprender do passado para transformar o presente. Após a apresentação, o grupo conversa com Héctor Briones, professor-adjunto do Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará.

No sábado, dia 3, o Núcleo 2 Coletivo de Teatro, de Minas Gerais, volta o olhar para a América Latina em Tempos de Errância – lado B [vídeo teatro]. Seguido de um bate-papo do diretor artístico Narciso Telles com a atuadora gaúcha Tânia Farias, o espetáculo parte de três fotogramas recentes e contemporâneos da paisagem latino-americana, buscando rastros de devastação pela violência armada. Embora ácido e sombrio, o tema é abordado de forma poética, extraindo a humanidade persistente nas pessoas.

A programação fecha no domingo, 4, conduzida pelo circo contemporâneo no espetáculo Enxame, da companhia Enxame Circo, de São Paulo. Em cena online, quatro indivíduos à espera de que algo aconteça acabam subvertendo a ordem das coisas dentro de um fluxo de acontecimentos não-rotineiros. O número usa alegoricamente o modo de vida das abelhas e a figura do apicultor para tocar, com humor e criatividade, em temas da contemporaneidade, como individualidade versus coletividade e desenvolvimento sustentável ou não. Para tanto, são mescladas técnicas circenses tradicionais, como corda lisa, malabarismo, palhaçaria e paradas-de-mão, a elementos do teatro e da dança e ainda projeção de vídeo.

Ao final do espetáculo a trupe bate um papo com a atriz, produtora cultural e professora de teatro Fátima Pontes, que há 20 anos coordena as áreas executiva e artística da ONG Escola Pernambucana de Circo.

Podcast

Para ampliar o acesso do público aos debates sobre as artes da cena e com a proposta de perenizar as discussões das três edições anteriores do Crítica em Movimento, o Itaú Cultural disponibiliza, a partir de 1 de abril, uma série de publicações online e podcasts em seu site (www.itaucultural.org.br) e aplicativos específicos para os programas.

Primeiro podcast do Itaú Cultural voltado às artes cênicas, o Crítica em Movimento é conduzido por uma pergunta diferente em cada um dos cinco episódios. O programa de estreia, mediado por Valmir Santos, tem como convidados o crítico e jornalista Macksen Luiz e a crítica e pesquisadora Daniele Avila Small, que respondem à provocação Quais os enfrentamentos da prática da crítica de teatro hoje? No segundo episódio, que tem como mediador o professor paraibano Diógenes Maciel, a pesquisadora e artista cearense Lourdes Macena e o ator e diretor Rogério Tarifa respondem ao tema motriz Como a crítica se relaciona com a noção do popular nas artes cênicas?

No terceiro, com mediação da jornalista Maria Fernanda Vomero, a pergunta Qual a percepção de quem cria a respeito do trabalho da crítica? norteia a conversa com convidados, que representam dois dos mais antigos coletivos cênicos do país: a atuadora Tânia Farias, da gaúcha Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, e o dramaturgo e diretor Edyr Augusto Proença, do paraense Grupo Cuíra. No seguinte, a pesquisadora carioca Walmeri Ribeiro e o ator pernambucano Pedro Wagner refletem sobre Como exercer olhares e escutas a partir da cena remota? mediados pela crítica e jornalista mineira Luciana Romagnolli.

O último episódio do podcast traz Dodi Leal, professora paulista radicada na Bahia, onde leciona no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal do Sul da Bahia, em Porto Seguro, e Henrique Saidel, diretor, performer, curador e professor gaúcho. Eles falam a respeito de Qual o lugar da resistência na formação da crítica? A mediação é da jornalista, crítica e professora mineira Julia Guimarães.

Cadernos

Crítica em Movimento também apresenta oito cadernos com 24 textos sobre o fazer crítico a partir de criações em circo, dança, teatro, intervenção e performance. Cada volume conta com três análises a respeito dos seguintes temas: O papel da crítica de teatro no Brasil – do jornal impresso à plataforma digital; O vão entre a crítica e o circo; Estados da crítica de dança; Espaços digitais empenhados em artes cênicas; A dificuldade da crítica em contracenar com o teatro de rua; A cena engajada no contexto contemporâneo; Teatros peculiares na mão dupla com Cuba e Brasil; e Panorama do teatro latino-americano visto da ponte (siga no material anexado todos os temas e convidados dos podcast e das publicações).

SERVIÇO:?Lançamento Crítica em Movimento – 4ª Edição / De 1 a 4 de abril (quinta-feira a domingo), sempre às 20h / Espetáculos, mesa e bate-papos acontecem pelo Zoom. / Reserva de ingressos via Sympla. / Podcasts e publicações online disponíveis a partir de 1 de abril no site e aplicativos de podcasts do Itaú Cultural.