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Um cineasta marginalizado

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Me, porque a embrafilme não queria gastar dinheiro com esse tipo de coisa.

Uma atitude clássica da administração da empresa naquela época.

Dos nove filmes dirigidos por babenco, apenas ironweed (1987), drama protagonizado por dois ícones do cinema americano, jack nicholson e meryl streep, ficou de fora da caixa.

O box contém ainda brincando nos campos do senhor (1991), sobre a ocupação da floresta amazônica por missionários americanos, que contou com um elenco internacional (kathy bates e tom berenger entre eles), e coração iluminado (1996) e o passado (2007), ambos filmados em seu país natal.

– passei um ano e meio negociando a liberação de ironweed com os produtores americanos do filme mas não consegui convencê-los. acho que queriam, eles mesmos, lançá-lo aqui – explica o diretor, de 64 anos. – mas isso não comprometeu a coleção. ela preenche uma lacuna gigantesca no mercado de dvd e vídeo, que carece de meus filmes. dá uma nova chance a filmes que não tiveram uma boa exposição no cinema, como coração iluminado e o passado , que talvez não tenham circulado melhor por causa da barreira da língua.

O diretor que filmou a vida marginal brasileira, seus bandidos e mocinhos se sente, ele mesmo, um marginalizado no país que adotou. – sou um diretor brasileiro excluído do mercado, devido a minhas escolhas e ousadias, em termos de linguagem e de temas – analisa. – não tenho patota, não faço filme de patota. não sou como esses diretores que organizam uma première festiva de seus filmes, feitos com dinheiro público, e vão dormir felizes, sem se preocupar com a carreira do que foi feito, do retorno que eles possam ter. estou sempre pensando no futuro.

Atualmente, babenco prepara-se para trazer para o rio, a partir de março, a montagem de hell , adaptação da peça escrita pela francesa lolita pille, protagonizada por bárbara paz, em cartaz em são paulo, onde mora.

Desenvolve também o roteiro do seu próximo longa-metragem, intitulado cidade maravilhosa , ambientado, claro, no rio de janeiro.

– é um filme que pretende brincar com os estereótipos envolvendo a cidade – avisa o diretor, que nunca morou na capital fluminense. – não entendo muito bem o rio e seus habitantes. nos fins de semana, muita gente sai da cidade, vai para a serra ou o interior. quando passo por aí, não encontro quase ninguém conhecido, ou não me convidam para nada.