O abraço ELÉTRICO do Oficina

Todasas encenaçõesse- rãofilmadas, sobadireção de Elaine César, para a gra- vação doDVD daturnê. A entrada é franca, e o gru- popedeapenas queoses- pectadores levem 1 quilo de alimentonão perecívele uma florpara aapresenta- ção de

Estrela brazyleiraa va g a r

. O projeto Dinisíacas em Viagem tem apoio do Mi- nistério da Cultura e inclui a realizaçãode oficinas gratuitas, ministradasno S a m b ó d ro m o. José Celso Martinez Corrêa está às voltas, neste momen- to, com adescoberta do que chama de “corpo elétrico”. – Cacilda Becker era uma atriz elétrica. Quando entra- va em cena, se iluminava e re- fletia correntes elétricas – ex- plica odiretor. –Trabalhava com o corpo elétrico numa épocaemque osatoresnão recebiam o texto completo para ler, só as suas falas. Odiretorsereferea um pe- ríodo anterior à modernida- de do teatro brasileiro, cujo símbolo permanece sendo a montagem deZiembinski para

Vestido de noiva

, de Nelson Rodrigues, em 1943. Quando citaCacilda como exemplo decorpo elétrico, não está se referindo a um ideal inatingível. – O ator deve ser um instru- mento perceptivo e elétrico que emana quando entra em cena – acrescenta. – É preciso preparar esse estado através de exercícios. Zé Celso prioriza o refina- mento do trabalho do ator. –Quero radicalizaraes- perteza, inteligência e sabe- doriadosatores –listaZé Celso. – Tinha preconceito com a sabedoria. Buscava o instinto. Mas o instinto tem s ab e d o r i a . Suas restrições em relação à ordem de valores imperantes no campoda interpretação são plenamente assumidas. – Hoje em dia, como o teatro não é visto como uma arte de sabedoria, as pessoas estão mergulhadas no ego – critica. – Nãofoi retomadaa cons- ciência de uma disciplina sa- grada que existia no teatro nosanos60. Nãohánosjo- vens atuais o fanatismo que nós tínhamos. MasZéCelso nãosedeixa levar pela nostalgia.

Continua na página seguinte.Arthur Max/Divulgação

FILOSOFIA

– Patricia Wicenski e Anthero Montenegro em ‘O banquete’