A magia de Vick Muniz

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Por PATRICIA SECCO

A águia poderosa da Vick Muniz

Neste sábado, mergulhei em uma das exposições mais impactantes que vi nos últimos tempos: a de Vik Muniz - A Olho Nu, no Centro Cultural Banco do Brasil. Enorme em dimensão, mas ainda maior em significado, a mostra revela a capacidade rara do artista de transformar materiais comuns — e muitas vezes descartados — em obras de uma beleza surpreendente.

Chocolate, açúcar, sucata, lixo, dinheiro, brinquedos, fios e objetos do cotidiano ganham uma nova existência sob seu olhar. À distância, vemos retratos, paisagens e cenas cuidadosamente construídas. De perto, descobrimos um universo de fragmentos que contam outras histórias. É justamente nessa aproximação que mora a magia de Vik Muniz.

 

 

Caminhei pela exposição lentamente, detendo-me diante de cada obra. Havia delicadeza, humor e crítica social convivendo no mesmo espaço. Um prato de macarrão transforma-se em um grito silencioso. O dinheiro desenha uma águia poderosa. O lixo revela rostos e personagens. Os brinquedos coloridos compõem figuras que falam sobre consumo, excesso e desejo.

O artista nos convida a refletir sobre aquilo que valorizamos e aquilo que descartamos. Em suas mãos, os resíduos da sociedade tornam-se arte; o efêmero ganha permanência; o banal transforma-se em extraordinário.

 

 

 

 

Saí da exposição com a sensação de que a beleza pode estar em qualquer lugar, desde que exista um olhar capaz de revelá-la. Vik Muniz não apenas cria imagens. Ele cria perguntas. E talvez seja exatamente por isso que sua obra nos encanta tanto: porque nos obriga a enxergar o mundo de outra forma

A exposição de Vick Muniz ficará em cartaz até 7 de setembro, de quarta-feira a segunda, de 9 às 20 horas, no Centro Cultural Banco do Brasil, localizado na rua Primeiro de Março , 66, Centro - Rio.