Festival de Tiradentes reúne 70 mil pessoas e destaca elo entre Minas e Portugal

A programação combinou aprendizado, tradição e novos sabores, com destaque para desafios culinários, cozinhas ao vivo e ações ligadas ao vinho

Por CADERNO B

Tiradentes, em Minas

Cerca de 70 mil pessoas circularam pelos dez dias da 29ª edição do Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, encerrada no último domingo. A cidade histórica de Minas Gerais recebeu visitantes, chefs e produtores locais em uma programação marcada pela troca de experiências e pelo aprendizado prático.

O evento contou com aulas de cozinha ao vivo, palestras, espaços interativos e desafios culinários, atraindo também o público interessado em conhecer de perto técnicas e sabores da gastronomia brasileira. Segundo os organizadores, a proposta é aproximar o público da cultura alimentar e estimular novas conexões entre profissionais da área.

Minas e Portugal no centro do tema

Em 2026, o festival teve como tema Minas Lusitânia, um elo entre culturas. A proposta evidenciou a influência portuguesa na formação da cozinha mineira, com destaque para ingredientes, costumes e modos de preparo que atravessaram gerações.

O curador gastronômico Rusty Marcellini afirmou que as semelhanças entre Portugal e Minas ficam claras em práticas como a cultura dos quintais, das hortas e do porco, além de preparos tradicionais como o leitão à pururuca. Para ele, um festival precisa também ensinar e provocar intercâmbio entre chefs e o público.

Experiências gastronômicas e troca entre chefs

No Largo das Forras, o Espaço Conhecimento e o Espaço Interativo do Sistema Fecomércio de Minas Gerais concentraram atividades muito procuradas, especialmente os desafios culinários. Neles, participantes tentavam reproduzir ao vivo o prato apresentado por um chef, aprendendo técnicas durante a prova e disputando premiações.

Entre os convidados, o chef Ronie Peterson ensinou uma galinhada e destacou a importância do festival em sua formação profissional. Já a chef e professora Juju Guerra preparou o risoni das Gerais com pato, paio, cachaça e torresmo, reforçando o caráter de encontro e troca de vivências que marca o evento.

Pratos, restaurantes e enoturismo

A programação também reuniu restaurantes com receitas tradicionais e combinações criativas. O Bar do Zezé levou seu torresmo de rolo, enquanto o restaurante Ilhote Sul apresentou pratos com frutos do mar, como o pão de queijo recheado com polvo e molho romesco, em uma proposta que uniu mar e montanha.

Além da gastronomia, a Vinícola Trindade sediou o lançamento de um guia com rotas do vinho e das vinícolas do Brasil, Argentina, Chile e Uruguai. A iniciativa, promovida pela ONU Turismo, busca ampliar a visibilidade do enoturismo e posicionar o Brasil em uma rota mais forte do vinho mundial.

Próxima edição ainda sem tema definido

Para a 30ª edição do festival, em 2027, o tema ainda não foi definido. Rusty Marcellini disse que gostaria de homenagear os participantes que mais contribuíram ao longo dos anos e, talvez, olhar também para a América Latina, retomando outras origens culturais.

Organizado pela plataforma Fartura Brasil, o festival é considerado o mais longevo do país e já inspirou outros eventos gastronômicos em diferentes regiões do Brasil. Além da edição mineira, a plataforma mantém ações em Portugal desde 2018, com expedições, festival em Lisboa e participação em eventos ligados ao vinho. (com informações de Ana Cristina Campos, da Agência Brasil)