Carro de palhaço chama atenção ao cruzar rodovias no Brasil

Júnior Silveira viaja para apresentações no Sesc fluminense desde o início de maio

Por CADERNO B

A van chama atenção pelo caminho: um convite a conhecer o circo de Mixuruca


Com duas pequenas caixas onde leva cenário e figurinos, pouca bagagem, acompanhado da mulher, Camila, que opera o som em seus espetáculos, e da produtora Giovanna Ueda, engrenagem da turnê no momento, o artista Júnior Silveira dirige compenetrado pelas estradas desde o Nordeste até o Sudeste. Saiu de Arapiraca, em Alagoas, para o Rio no início do mês. A seriedade ao volante nem lembra a estampa do homem de nariz vermelho, chapéu e figurino divertido estampada na parte externa da van. Em letras garrafais, a plotagem não deixa sombra de dúvida: em movimento segue ali o Palhaço Mixuruca, sua marca registrada no mundo do circo e das artes no Brasil.

Já são 40 anos de vida artística, começou aos seis com o pai, Biribinha, que começou com o avô. Também é músico, inventor de instrumentos, tem ouvido absoluto e, mesmo sem saber ler partituras, cria sonoridades incríveis, além de interpretar clássicos e contemporâneos em espetáculos de seu repertório.

Viaja por todo o país com as montagens “A harmonia do diferente” (2025), “Viva!” (2020), “O circo do Mixuruca” (2017), “As aventuras de Mixuruca pelo folclore brasileiro” (2014) e “Uma história de circo" (2013). No momento, o espetáculo “Viva!” é a montagem que o traz ao Rio de Janeiro.

A turnê por 10 unidades do Sesc, viabilizada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, teve início dia 8 de maio e termina dia 24 deste mês. Depois de percorrer Norte Fluminense, Vale do Paraíba, Nogueira e Petrópolis, desce a Região Serrana e alcança São Gonçalo, na próxima terça-feira (19). Quarta-feira, faz apresentação no Sesc São João de Meriti. Sesc Niterói e Sesc Ramos, dias 23 e 24, respectivamente, encerram a turnê no estado.

Com a palavra, o palhaço:

“’Viva!’ propõe ao público, por 45 minutos, comemorar o aqui e agora. Essa exclamação é uma maneira de sugerir que a vida é no tempo presente. Há uma ilusão de que a felicidade pode estar no consumo, através de uma compra de forma muito rápida, estímulos que hoje a tecnologia oferece. Mas será que isso é o bastante para ser feliz? Se for possível esquecer dessa necessidade do artifício de posse, o Palhaço Mixuruca segue feliz da vida”, afirma Júnior Silveira.

“Tenho muita honra, cuidado e respeito por ser neto e filho de palhaços. Porque é algo muito sagrado, digo que minha missão e profissão é o ponto principal da minha vida, ser marido, ser pai, ser filho, é a minha profissão que me dá esse privilégio. Não sei como seria possível seguir sem o circo”, emociona-se.

Júnior Silveira é nascido na cidade de Morada Nova, estado do Ceará. Foi por acaso. Na ocasião, o circo do Palhaço Biribinha, seu pai, estava nessa cidade como circense itinerante. Mas cresceu e formou família em Alagoas. É pai de um casal de filhos com Camila. Oriundo de uma família de artistas, Mixuruca, como é conhecido, herdou, da família do pai, Teófanes Antônio Leite da Silveira, a arte circense tradicional, e da família da mãe, Olga Soares da Silveira, a veia musical. Iniciou sua carreira aos 6 anos de idade no grupo do seu pai, com quem aprendeu a arte da palhaçaria, bem como aprofundou seus conhecimentos sobre o circo. De lá pra cá, já são 40 anos acumulando experiências nos palcos dos mais importantes festivais, programas e projetos por todo o Brasil. Em junho, Mixuruca vai animar o São João em Arapiraca.