O tempo como personagem de uma busca pela identidade
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“Tempos Emaranhados”, romance de ficção que marca a estreia de Helena Wettl, pela Editora Cria Cuervos, usa o tempo e a memória para resgatar o passado de uma família que se perdeu na chegada ao Rio de Janeiro no começo dos anos 60.
Parte essencial da trama se desenrola no Edifício Juparanã, na Praça Onze, na esquina da Rua de Santana com a Avenida Presidente Vargas. Para quem não está ligando o nome à pessoa, trata-se do famoso edifício “Balança, Mas Não Cai”, o mais alto prédio residencial da Presidente Vargas que era “cenário” de programas humorísticos na era do rádio, o que depois se mudou para a TV.
Economista, criada no Grajaú e morando há 15 anos em Curitiba, a autora demonstra minucioso conhecimento do cotidiano das camadas mais desfavorecidas da classe média carioca e do universo do Rio carnavalesco. E descreve com maestria fatos sincronizados com o tempo passado.
A ficção impressiona não apenas pela verdade crua dos sentimentos expostos. É marcante a descrição criteriosa dos interiores do edifício “Oscila mas não Tomba”, que é o “Balança”, próximo à concentração das Escolas de Samba que antecede a entrada no Sambódromo para os desfiles de Carnaval.
A autora, que escreve por prazer desde os 10 anos, revela que passou mais uma vez no “Balança”, em 2019, para visitar seu interior e a quitinete de um dos principais personagens da história, cuja foto da pequena cozinha ilustra a capa. O livro comove, com poucos motivos para riso no “Balança”.
Pela estreia, pode-se esperar outras obras vindas de Curitiba.
Horário e local: O lançamento no Rio será neste domingo, 1º de fevereiro, às 16 horas, em bate-papo com a autora, no Península Open Mall, na Avenida Flamboyants da Península, 855, na Barra da Tijuca (em frente à loja Kopenhagen)