Lula adota estratégia pragmática diante de provocações de Trump e Milei
Itamaraty recomenda cautela enquanto governo brasileiro acompanha a crise diplomática e o impacto das eleições nos EUA
O presidente Lula não reagirá às provocações de Donald Trump e Javier Milei no caso da fuga de Flavio Bolsonaro para os EUA, além das falsas acusações de que as eleições foram fraudadas. A orientação, neste sentido, partiu do Itamaraty. A meta é adotar uma postura pragmática diante da escalada política. A avaliação interna é de que um confronto direto com os dois presidentes só ampliaria a crise e daria palco aos adversários.
Segundo auxiliares do presidente, a orientação é deixar o caso seguir no campo judicial e evitar qualquer resposta que possa ser interpretada como participação em um embate internacional. Para diplomatas ouvidos nos bastidores, entrar em bate-boca seria o mesmo que fortalecer a narrativa dos derrotados nas urnas.
Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos agrava a tensão
A crise ganhou novo capítulo com a chegada de Flávio Bolsonaro a Miami, em uma articulação atribuída aos governos argentino e americano. O senador havia sido alvo de decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a entrega dos passaportes e proibiu sua saída do País.
Flávio responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal e ainda mantém foro privilegiado até o fim do mandato, em 2027. A movimentação é vista pelo governo como parte de uma tentativa de politizar a disputa eleitoral e internacionalizar o conflito.
Planalto aguarda impacto das eleições americanas
O Palácio do Planalto também aposta que o trumpismo pode sair enfraquecido das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para a próxima terça-feira. Nesse cenário, a expectativa é de perda de força política do Partido Republicano e de redução da margem de manobra de Trump.
Apesar disso, o resultado das urnas americanas não deve alterar imediatamente o tarifaço imposto aos produtos brasileiros. Por enquanto, a ordem é observar a evolução do quadro externo antes de definir os próximos passos da resposta diplomática.
PT vê interferência estrangeira
A cúpula do PT afirmou que a posição de Trump em relação ao resultado das eleições brasileiras merece atenção. Em resolução aprovada pela Executiva Nacional, o partido disse que o Brasil não aceitará interferência estrangeira em sua democracia.
Para o PT, o movimento de Flávio Bolsonaro de buscar apoio externo representa uma reação autoritária dos derrotados nas urnas. A legenda também entende que a tensão pode atrasar ainda mais decisões sensíveis entre os dois países, inclusive a análise do nome indicado por Trump para a embaixada dos Estados Unidos no Brasil. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)