Lula critica Trump e defende novo modelo de segurança no Rio
Presidente participou de agenda sobre segurança pública e apresentou medidas para combate ao crime organizado
Em agenda no Rio de Janeiro para tratar de segurança pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a decisão do governo americano de Donald Trump de classificar facções criminosas como terroristas. Segundo ele, não faz sentido adotar esse enquadramento, embora tenha reconhecido a gravidade da violência vivida por moradores de áreas periféricas.
O presidente afirmou ainda que o combate ao crime organizado precisa ser tratado como prioridade de Estado, com mais investimentos em forças de segurança e no policiamento de fronteiras. Para Lula, a estratégia deve considerar a soberania nacional e a proteção de áreas sensíveis do país.
Integração entre governos e novo padrão de segurança
Lula acompanhou as Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado no Rio de Janeiro, plano que prevê cooperação entre governo federal, governo estadual e prefeitura. Ele disse acreditar que, se a iniciativa funcionar no estado, poderá servir de modelo para outras regiões do país.
O presidente afirmou que o Brasil vive um “novo começo” na construção de um novo padrão de segurança pública. A proposta, segundo ele, depende de coordenação entre diferentes esferas de governo e de ações permanentes de inteligência e repressão ao crime.
Presídios, inteligência e presença feminina na PRF
No discurso, Lula também defendeu mudanças na gestão de unidades prisionais e prometeu transformar 138 prisões em presídios de segurança máxima. Ele argumentou que cadeia não deve ser espaço para comando de quadrilhas e que o controle interno precisa ser mais rígido.
O presidente ainda elogiou a presença de mulheres da Polícia Rodoviária Federal no evento e afirmou que o país precisa de mais agentes femininas na corporação. Segundo ele, elas podem contribuir de forma decisiva para o trabalho de inteligência nas forças de segurança.
Soberania e recursos estratégicos
Lula relacionou a pauta da segurança ao interesse do Brasil em proteger riquezas naturais, citando a Margem Equatorial e o pré-sal. Para ele, o país precisa reforçar a vigilância diante da disputa por petróleo e minerais críticos, temas que classificou como estratégicos para o futuro nacional.
Ao longo do discurso, o presidente também fez críticas políticas e usou tom duro ao se referir a adversários. Ainda assim, concentrou sua mensagem principal na necessidade de reorganizar o combate ao crime e fortalecer a presença do Estado nas fronteiras, nos territórios mais vulneráveis e no sistema prisional. (reportagem ampliada com informações da Agência Estado)