Flávio Bolsonaro fala sobre Selic e admite não entender de economia
Senador do PL perguntou a Daniella Marques como os juros reagiriam a um eventual governo seu e ouviu projeção sobre queda rápida da taxa
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, disse que não domina economia e quis saber como a taxa Selic reagiria em um eventual governo seu. A pergunta foi feita a Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, durante entrevista ao podcast Market Makers.
Na conversa, ele quis entender se a queda dos juros seria rápida ou mais lenta após as sinalizações de um novo governo. Daniella respondeu que um corte de gastos poderia antecipar a redução da Selic, afirmando que parte do ajuste já acontece na curva de mercado.
O que disse Daniella Marques
Segundo a executiva, cada ponto de Selic tem grande impacto fiscal, e um corte mais agressivo nos gastos públicos poderia melhorar as condições para a queda dos juros. Ela destacou que o país precisaria menos de um presidente tecnicamente especializado em economia e mais de articulação política para aprovar medidas no Congresso.
Copom corta juros e mercado mantém projeções
A entrevista ocorreu um dia depois de o Copom, do Banco Central, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14%, na quarta queda consecutiva. Mesmo com o novo corte, o colegiado afirmou que seguirá monitorando o cenário para manter a restrição adequada nos juros.
As projeções do relatório Focus ainda indicam espaço para a Selic recuar para 13,75% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027. Ou seja, o mercado trabalha com um processo gradual de queda, sem expectativa de alívio imediato.
Impacto político e composição da chapa
Daniella Marques chegou a ser cogitada como vice em uma eventual chapa de Flávio Bolsonaro, mas as conversas não avançaram. O senador não conseguiu fechar aliança com o Republicanos, partido da ex-presidente da Caixa, nem com outras legendas.
Sem acordo, o PL anunciou o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas, como vice na composição. A definição encerrou as negociações que vinham sendo avaliadas como parte da construção política da candidatura. (com informações da Agência Estado)