SUS incorpora edaravona para esclerose lateral amiotrófica (ELA) em fase inicial

Medicamento será destinado a adultos com diagnóstico recente da doença e deve chegar à rede pública em até 180 dias

Por POLÍTICA DE SAÚDE

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O Ministério da Saúde oficializou a incorporação da edaravona ao Sistema Único de Saúde para o tratamento de adultos com esclerose lateral amiotrófica em estágios iniciais. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e beneficia pacientes classificados nos graus 1 ou 2 da doença, com sintomas de até dois anos.

Segundo a Portaria SCTIE/MS nº 40, de 20 de julho de 2026, a oferta do medicamento deve ser efetivada em até 180 dias pelas áreas técnicas responsáveis. Embora a medida já esteja em vigor, a disponibilização aos pacientes depende da implementação da incorporação na rede pública.

Como a decisão foi tomada

A inclusão da edaravona ocorreu após recomendação da Conitec, comissão que avalia evidências científicas, eficácia, segurança e custo-benefício antes da adoção de novas tecnologias no SUS. O processo considera se o tratamento traz ganho real aos pacientes e se é viável para o sistema público.

O medicamento é usado para retardar a progressão da ELA nas fases iniciais. Ele atua reduzindo o estresse oxidativo, um dos mecanismos associados à degeneração dos neurônios motores, com o objetivo de preservar a capacidade funcional e adiar a perda de movimentos.

O que é a ELA e quais são os sintomas

A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura, que afeta os neurônios responsáveis pelos movimentos voluntários. Com a evolução do quadro, o paciente perde força muscular e pode ter dificuldade para caminhar, falar, engolir e respirar.

Os primeiros sinais variam, mas costumam incluir fraqueza em braços ou pernas, tropeços frequentes, dificuldade para segurar objetos, câimbras, fasciculações, fala enrolada e dificuldade para engolir. Em fases mais avançadas, os músculos da respiração podem ser atingidos, o que eleva o risco de complicações graves.

Diagnóstico e tratamento multidisciplinar

Não existe um exame único capaz de confirmar a doença. O diagnóstico é feito por neurologista com base na avaliação clínica, no histórico do paciente e em exames que ajudam a excluir outras condições com sintomas parecidos. Entre eles, a eletroneuromiografia é considerada fundamental, além de ressonância magnética e exames laboratoriais.

Apesar da ampliação das opções terapêuticas no SUS, a ELA continua sem cura e exige acompanhamento multidisciplinar. O tratamento envolve neurologistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e outros profissionais, com foco em controlar sintomas, preservar autonomia e melhorar a qualidade de vida.