Lula: Presidente da África do Sul dever ir ao G20; EUA não pode proibir participação de membro

O petista disse que uma eventual exclusão da África do Sul do fórum seria um "precedente que ameaça a relevância de outro importante fórum de coordenação mundial" e defendeu a união dos países contra decisões unilaterais. "Se vai tirar a África do Sul hoje, amanhã vão tirar a Alemanha. Depois, vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar as mãos, eles vão tirando um por um", declarou

Por POLÍTICA JB com Agência Estado

Lula com o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, em viagem à Europa

Por Naomi Matsui e Gabriel Hirabahasi - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta segunda-feira, 20, a participação do presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, no G20, mesmo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que a África do Sul “não é um país digno de pertencimento a nenhum lugar” e que a nação seria excluída da próxima cúpula do grupo.

“Os Estados Unidos não têm o direito de proibir um membro fundador do G20 de participar do 20. Eu disse ao Ramaphosa que ele deve comparecer ao G20. Deve comparecer, não pode não ir porque o Trump disse que ele não ia. Ele vai e vamos chegar lá para ver o que vai acontecer, se vão deixar ele entrar ou não. Eu, se fosse ele, iria ao G20”, declarou Lula, ao lado do chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, referindo ao presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.

O petista disse que uma eventual exclusão da África do Sul do fórum seria um “precedente que ameaça a relevância de outro importante fórum de coordenação mundial” e defendeu a união dos países contra decisões unilaterais. “Se vai tirar a África do Sul hoje, amanhã vão tirar a Alemanha. Depois, vão tirar o Brasil. Se a gente não se juntar as mãos, eles vão tirando um por um”, continuou.

Lula disse que Trump exibiu um documentário falso para tentar justificar sanções contra o país sul-africano. “O presidente Trump mostrou um filme que não era verdadeiro de trabalho escravo. É um negócio inacreditável. Um documentário em que tinha pessoas brancas trabalhando como escravo e ele diz que era do tempo do Ramaphosa”, falou.

Conflito no Irã

Lula defendeu o fim da guerra entre Estados Unidos e disse acreditar que o Irã não tem a intenção de produzir armas nucleares.

“Em 2016, volta a velha conversa de que o Irã está preparando uma bomba atômica. Eu não acredito. Como eu não acreditei quando o [George W.] Bush invadiu o Iraque, de que o Saddam Hussein tinha armas nucleares. De vez em quando, as pessoas constroem um mito falso para justificar uma posição que é irreconhecível e irresponsável”, disse.

Combustíveis

Lula voltou a dizer que os biocombustíveis são uma opção e que o Brasil não pede que os outros países parem de consumir energia fóssil. Lula reafirmou que o Brasil tem tentado fechar um acordo com o México para explorar petróleo no Golfo do México.

“Não estamos exigindo que nenhum país abra mão de utilizar o petróleo para desenvolver a sua indústria, para desenvolver a energia que precisa. O que estamos querendo provar é que é possível, mesmo você utilizando o petróleo, uma mistura de biocombustível, você pode diminuir os efeitos nocivos que o combustível fóssil tem”, falou.

O petista disse que a defesa dos biocombustíveis é uma questão de “soberania nacional” e também citou as importações e a prospecção de gás natural. “O Brasil também importa gás. Não somos autossuficientes na produção de gás, industrial, sobretudo. Mas o Brasil está fazendo prospecção. Acabamos de encontrar gás na Colômbia, achamos que vamos encontrar gás em alguns países africanos. E o que eu acho é que nós estamos dispostos a discutir com a Alemanha a alternativa energética”, afirmou.