‘Polarização odiosa foi produzida pela extrema direita junto às Big Techs’, diz Jean Wyllys à TV Fórum
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Por Julia Motta - O Fórum Onze e Meia desta segunda-feira (13) recebeu o ex-deputado federal Jean Wyllys, que ficou quatro anos exilado após receber ameaças da extrema direita em 2019, para falar sobre seu retorno ao Brasil e à vida política. Agora pré-candidato ao mesmo cargo que ocupava antes de precisar sair do país, Wyllys analisa o avanço da extrema direita, o retorno de Lula ao poder e o cenário eleitoral para as disputas deste ano.
Wyllys comenta sobre suas expectativas para retornar à disputa eleitoral e se o cenário pode ser considerado menos violento que há mais de sete anos, quando deixou o país por ser alvo de ameaças e ataques, inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ex-deputado afirmou que apesar dos avanços desde que ficou exilado, a violência da extrema direita ainda é uma realidade muito perigosa no Brasil.
Ele destaca que essa polarização “odiosa”, que promove ataques dentro e fora do ambiente digital, foi construída pela extrema direita junto às Big Techs, e que esse cenário vai se intensificar nessas eleições.
“O problema não está na polarização, os Estados Unidos sempre foram um país polarizado entre republicanos e democratas e aquela democracia funcionou até, por exemplo, chegar uma pessoa de extrema direita como Donald Trump na presidência em 2016 – aliás, o ano do golpe contra Dilma. Então, o problema não está na polarização, o problema está na polarização odiosa que foi produzida pela extrema direita em parceria com as big techs”, declarou Wyllys.
“Ou seja, as big techs e suas mídias sociais tornaram a polarização política que sempre houve e que não era odiosa, em uma polarização odiosa, e quase sempre por parte da extrema direita. É ela que parte para a violência, é ela que parte para o assédio. É ela que mente, ela que cria teorias conspiratórias”, acrescenta o ex-deputado.
Wyllys afirma, portanto, que se o ambiente se torna violento, isso é consequência da ação da extrema direita com apoio da “imprensa hegemônica”. “Essa imprensa que se autoproclama um pilar da democracia, mas que na hora H, pende para a direita, para a extrema direita, traça falsas simetrias, faz revisionismo histórico, manipula os dados. Então, tudo isso torna uma eleição violenta, mas não por parte da esquerda”, diz.
O ex-deputado analisa que se pegar o ano de 2018, marcado pela violência, todos os episódios violentos foram perpetrados pela direita e pela extrema direita. “Tiras na caravana de Lula, a prisão injusta de Lula pela Lava Jato – que se revelou uma organização criminosa envolvendo setores do Judiciário, do Ministério Público e do empresariado – o assassinato de Marielle Franco, toda aquela violência que o MBL perpetrava assediando pessoas. Ou seja, tudo aquilo foi perpetrado pela direita, não pela esquerda.
Então, quando a imprensa traça a falsa simetria e fala em polarização como se a polarização em si fosse um problema, mas ela não é um problema. O que é um problema é a polarização odiosa, que é feita pela extrema direita. E essa sim é preocupante, essa sim é o problema.
Corrupção da direita e extrema direita
O ex-deputado também analisou os escândalos de corrupção recenetes, como o caso Master, que revelou a relação entre bancos, políticos de direita e extrema direita e grupos de comunicação. Wyllys ressaltou que, historicamente, a direita é quem sempre está envolvida em corrupção.
“Está claro para mim e para todo mundo que se informa bem, para todo mundo que pensa, para todo mundo que tem um mínimo de informação, que esse escândalo é um escândalo que envolve a direita.”
“Essa direita que a imprensa gosta de chamar de centrão – eu acho curioso esse nome, centrão, porque na verdade não há nenhum centro democrático ali, aquelas pessoas são todas de direita – é que está realmente envolvida no escândalo de corrupção”, completou Wyllys.
“Aliás é essa direita que historicamente está envolvida em corrupção no Brasil. Não há nenhum escândalo de corrupção no Brasil em que essa direita não esteja envolvida. Historicamente quem é patrimonialista, quem se apropria da coisa pública de maneira criminosa é a direita. Foram os presidentes de direita, em especial o Collor de Mello, que se envolveram em escândalo de corrupção. São os parlamentares de direita que levam a corrupção ao Parlamento e são os juízes de direita que estão envolvidos também na corrupção”, declara o ex-deputado.
Disputa eleitoral
Wyllys também analisou a disputa eleitoral, principalmente para a presidência da República, e ressaltou que Lula, apesar de ainda ser apontado como favorito, deve enfrentar uma eleição com muita dificuldade devido à ofensiva da extrema direita.
“É uma campanha que a gente sabe que a desinformação vai desempenhar um papel importante. O X, por exemplo, já alterou o seu algoritmo e isso vai ter um impacto, sim, nas eleições.
“A direita não tem escrúpulos. Basta ver o que Flávio Bolsonaro fez, por exemplo, a maneira descarada com que ele pegou imagens de pessoas recolhendo comida no caminhão do lixo, imagens que são imagens gravadas na época do governo do pai dele, ou seja, na época do governo do pai dele em que realmente o Brasil ainda estava no mapa da fome, e usou contra Lula. E nós temos aí a imprensa hegemônica, essa imprensa de direita e que também já entrou numa guerra contra o PT, já entrou no ataque contra o partido”, finaliza o ex-deputado.
Esquerda deve ter uma postura mais combativa
Portanto, diante desse cenário, o ex-deputado defende que a esquerda deve ter uma postura mais combativa nessas eleições. Em todos os lugares em que a esquerda venceu as eleições, foi exatamente porque a ela decidiu dar o nome aos bois, decidiu ir para cima, decidiu não dourar a pílula, usar os termos certo, deixar de lado uma certa conciliação com os setores da direita e até mesmo da extrema direita, por medo de parecer raivoso”, analisou Wyllys.
“Eu acho que sem perder a educação, mas sendo contundente, eu acho que é o correto, é assim que a gente vai conquistar voto. Sim, o eleitor pode ser manipulado por desinformação, o eleitor pode ser comprado, o eleitor pode ser coagido por organizações criminosas, mas o voto é secreto e eu acho que o eleitor tende também a identificar uma certa integridade no candidato, quando ele também não modula muito seu discurso para agradar qualquer um, entendeu?”, complementa.
“Eu acho que a esquerda tem que assumir suas posições de maneira muito clara, fazer as críticas de maneira muito clara, dar nome aos bois.”
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