A morte de Raul Jungmann
A Constituição tinha mudado o modelo tributário e Jungmann apresentou a proposta mais prática, uma Câmara Setorial
Meu primeiro contato com Raul Jungmann foi no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele era Secretário Executivo do Ministério do Planejamento.
A Constituição tinha mudado o modelo tributário, obrigando a uma redefinição das responsabilidades de estados, municípios e União.
Coube a Jungmann apresentar a proposta mais prática: uma Câmara Setorial juntando as três instâncias de poder.
Escrevi um artigo em minha coluna na Folha, enaltecendo sua iniciativa. O artigo chamou a atenção de FHC sobre sua competência
Depois disso, chegou a Ministro do Desenvolvimento Agrário nos três últimos anos do segundo governo FHC. Depois, foi deputado. Voltou no governo Temer como Ministro da Segurança Pública.
Em sua gestão houve a operação GLO (Garantia de Lei e Ordem) no Rio de Janeiro. Pouco depois, houve a morte de Marielle, as declarações do interventor Braga Neto, de que já sabiam o nome dos mandantes, e seu recuo posterior.
Ficou no ar uma frase enigmática de Jungmann: “Tem forças muito influentes nesse caso”. Obviamente não eram os irmãos Brazão, meros coronéis estaduais.
Mas morreu levando seu segredo.