POLÍTICA

Dono de contratos milionários ajudou "como amigo" reforma de Bolsonaro

Empreiteiro que atuou em obra na casa de Bolsonaro ganhou contratos de R$ 17 mi do aliado Cláudio Castro. Em um deles, concorreu sozinho

Por JORNAL DO BRASIL com Metrópoles
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Publicado em 04/03/2024 às 08:45

Alterado em 04/03/2024 às 08:45

O empreiteiro bolsonarista Renato de Araújo Correa Foto: Metrópoles

Arthur Guimarães, Isadora Teixeira - A reforma na casa de praia do ex-presidente Jair Bolsonaro em Angra dos Reis (RJ), na Costa Verde fluminense, teve a participação de um empreiteiro que, em uma semana, venceu licitações de quase R$ 17 milhões em contratos ligados ao governo do correligionário Cláudio Castro (PL).

Em um dos certames, de R$ 9 milhões, o empresário venceu concorrendo sozinho.

Renato de Araújo Corrêa atuou como uma espécie de coordenador da obra do ex-presidente. A presença constante do empresário foi relatada por vizinhos ao Metrópoles.

Essas pessoas, que pediram para não ter os nomes divulgados, afirmaram tê-lo visto no local semanalmente, na época da virada de ano, orientando os operários “como se fosse o chefe deles”.

Vídeo obtido pela reportagem mostra um discurso em Angra, no Hotel do Bosque, no dia 7 de janeiro deste ano. Na ocasião, Bolsonaro comenta com a plateia sobre a reforma em sua residência.

Olhando e apontando com a mão para Renato, ao seu lado no palco, o ex-presidente diz que o empresário estava “pagando” tudo.

“Minha casa aqui não é o sítio de Atibaia, não”, prosseguiu, em referência ao imóvel eixo das investigações por corrupção e lavagem de dinheiro contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Lava Jato.

Renato diz que reforma de Bolsonaro foi terceirizada
Ao Metrópoles Renato negou ter sido o responsável por executar a obra na casa de Bolsonaro.

“Foi uma empresa terceirizada”, explicou, sem dizer quem teria terceirizado o serviço. Ele argumentou que o ex-presidente pagou a suposta firma e tem todas as notas fiscais. Questionado sobre qual seria o nome dessa empreiteira, o empresário disse não lembrar, pois ela “tem o nome um pouco complicado”: “Agora você vai me pegar”.

Questionado sobre os relatos dos vizinhos, Renato explicou que deu apenas “pitacos” na revitalização do espaço.

Renato acrescentou que ia semanalmente ao imóvel para atuar como uma espécie de “fiscal”. De acordo com ele, toda a ajuda foi “como amigo”.


Ao fim da entrevista, o empreiteiro admitiu que usou seus funcionários para finalizar a reforma, sem explicar por que esse serviço não foi feito pela suposta firma titular do trabalho. Como ele contou, fez um mutirão com “uns 10 funcionários” das empresas dele.

O empresário explicou que mandaria uma série de fotos feitas por ele com a equipe “arrastando brita”. Na sequência, enviou as imagens que ilustram essa reportagem e estão na galeria, em que operários aparecem espalhando pedras pelo jardim.

A casa, que tem cerca de 700 metros quadrados e ocupa dois lotes na Vila de Mambucaba, passou por troca de piso, conserto do telhado, troca de esquadrias, quebra de paredes, reconstrução de um muro e pintura por dentro e por fora, segundo Renato. Informalmente, antes da obra, o imóvel estava avaliado em cerca de R$ 1 milhão.

Em entrevista recente ao jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro afirmou que tem todas as notas fiscais da reforma, paga do “bolso” dele. Até agora, no entanto, não se sabe o valor da revitalização nem qual foi a participação detalhada de cada empresa no trabalho.

Questionados sobre o valor da obra pelo Metrópoles, nem Renato nem o ex-presidente Jair Bolsonaro responderam à reportagem.

 

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